O golpe da fraude (por Cristovam Buarque)

Bolsonaro está agindo em todas direções, enquanto os democratas ficam indignados, reclamam e se dividem

atualizado 31/07/2021 3:05

Jair Bolsonaro Igo Estrela/Metrópoles

O presidente Bolsonaro está alertando o Brasil para a fraude que ele provocará nas eleições de 2022. Ao dizer que o sistema eletrônico sob a direção do TSE é corruptível, está preparando a grande fraude da recusa do resultado. Cria desconfiança em parte da população. Está construindo a conivência das Forças Armadas, Policias Militares, Milicias e Seguidores Armados. Este comportamento é prova de que ele sabe que perderá nas urnas e terá apoio das armas.

Com esta certeza, está agindo cuidadosamente para preparar o cenário para a grande fraude da anulação dos votos. Insinua sem provas a possibilidade de um suposto risco de fraude; acusa irresponsavelmente que servidores e direção do TSE de terem condições e já terem praticado corrupção eleitoral; cria dúvida na opinião pública; arma seus seguidores, coopta as Forças Armadas e as Polícias e mantém relações com milicianos; além disto, articula apoio da rede internacional direitista para agirem, quando a fraude pré-anunciada for alegada. A deputada neonazista recebida na semana passada no Palácio do Planalto deve ter voltado para a Alemanha avisada do risco de fraude e deve ter avisado que apoiará na Europa o golpe da anulação das eleições, Trump nos EUA dará total apoio, lamentando que ele não teve o suporte de seus militares, quando tentou a mesma fraude em 2020.

Bolsonaro está agindo em todas direções, enquanto os democratas ficam indignados, reclamam e se dividem, disputando entre eles qual vai para o segundo turno, em uma eleição que o presidente, quando derrotado, vai anular, com seus apoiadores armados nas ruas, com apoios de direitistas no Exterior, com os tribunais cercados. No final, a história vai dizer que Bolsonaro avisou e os opositores, mais uma vez brigando entre eles, nao ouviram os avisos. Não souberam como agir e cometeram mais disputas entre eles do que se prepararam para impedir o golpe da fraude para anular as eleições de 2022, que Bolsonaro demonstra saber que vai perder, mas não vai reconhecer, porque só Deus, não eleitores, tira ele da cadeira presidencial.

Os lideres democratas deveriam levar a sério os repetidos avisos golpistas, deveriam convocar uma “CPI da Fraude e do Estelionato em 2018”. Além de especialistas no sistema de voto eletrônico, convidar Bolsonaro para depor sobre fraude em 2018 e em outras eleições e explique o estelionato ao usar a facada e ao prometer acabar com corrupção. Os democratas precisam entender que não basta acusar Bolsonaro do que todos sabem, ser mentiroso e estar preparando o golpe, precisam convencer a população, de que as urnas são seguras e as armas são corruptíveis.

Sobretudo, os democratas brasileiros precisam se unir deste o primeiro turno com um candidato de todos, produzindo um resultado expressivo em uma eleição plebiscitária entre a retomada da verdade, da unidade, da seriedade, do espírito público ou a continuidade da mentira, negacionismo, genocídio, incompetência e falta de patriotismo. Bolsonaro faz o papel dele, de perdedor golpista, seus opositores não estamos fazendo o nosso, além de reclamarmos dele, mas brigando entre nós.

Cristovam Buarque foi senador, governador e ministro