O declínio da popularidade de Trump (por Ricardo Guedes)

Observa-se o forte declínio na popularidade de Trump nos Estados Unidos

atualizado

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Reprodução/White House
Presidente dos EUA, Trump diante de microfone - Metrópoles
1 de 1 Presidente dos EUA, Trump diante de microfone - Metrópoles - Foto: Reprodução/White House

Trump foi eleito por 49,9% contra 48,5% de Kamala Harris no voto popular em 2024. Na pesquisa Gallup, o maior instituto de pesquisa do mundo, Trump, após sua posse em 20 de janeiro, apresentou popularidade de 47% nos Estados Unidos, na pesquisa de 21 a 27 de janeiro, caindo para 37% na última pesquisa deste 7 a 21 de julho.

Esta é a mais baixa popularidade de um Presidente dos Estados Unidos aferida após 200 dias de governo na história do Instituto Gallup, fundado em 1935. Para o mesmo período de 200 dias de governo, a popularidade de Biden ficou em 50%, Trump no primeiro mandato em 38%, Obama 57%, W. Bush 55%, Clinton 43%, H.W. Bush 66%, Reagan 59%, Carter 65%, Nixon 61%, Kennedy 75%, Eisenhower 71%.

Outras pesquisas de renomados institutos e organizações americanas são compatíveis com os resultados do Gallup em relação à aprovação de Trump: YouGov 39%, Reuters/Ipsos 40%, Massachussets University 38%.

Trump erra em suas medidas políticas e econômicas. Em verdade, agrada a seu núcleo mais próximo, mas não ao eleitorado em geral. A ocupação de Los Angeles pela Guarda Nacional, e o recente anúncio de ocupação de Washington e New York não são do agrado geral. E as tarifas de Trump, para o protecionismo à indústria americana, não vão resolver o problema econômico do país, com a geração de inflação. Trump erra ao ir contra os fundamentos da nação, o da liberdade que gera o consenso para a ação política, e o do mercado que gera a competição com a eficiência na economia.

Nas tarifas contra o Brasil, é clara a discordância da imprensa americana em relação às medidas tomadas por Trump. As tarifas são consideradas mais como políticas do que econômicas. Certamente que os danos para o Brasil serão muitos, mas os americanos, de certa forma, também sentirão. O New York Times lamenta que os americanos “vão sentir a dor da ausência do café (brasileiro)”. E o Texas Roadhouse, uma das mais representativas redes de barbecue dos Estados Unidos, com cerca de 800 restaurantes em 49 estados, subiu os preços dos steaks em 1,4% no final deste primeiro semestre, projetando 4% para até o final do ano, devido aos “custos da carne bovina e potenciais impactos tarifários”. O aumento em 4% nos steaks, a comida predileta dos americanos aos fins-de-semana, em uma economia estável, é altamente significativa para o consumidor, que têm seus proventos, em geral, já bem ajustados a um padrão definido de consumo de bens e serviços.

Trump acerta em suas medidas para o seu núcleo mais próximo, proporcionando a ira e a má educação, mas erra para o total da população, já que, como no dito popular, o ódio “não põe mesa”. Como diz Fernando Blanco em recente artigo, o “sofrimento do americano” será o nosso “maior aliado” para que haja uma maior negociação à frente.

E assim vamos nós.

Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus

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