O clima da Copa da Fifa (por Eduardo Fernandez Silva)
Realizar a atual Copa emitirá duas vezes mais gases de efeito estufa que a média dos eventos anteriores
atualizado
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Rola muito dinheiro e corrupção numa Copa do Mundo da Fifa, parte para gerar o “clima da Copa”! Emissoras de TVs ajudam, promovendo vendas diversas e a “alegria” dos torcedores! Nos grandes eventos esportivos, o que mais conta é o dinheiro que alguns poucos embolsarão, e o que menos importa é a saúde dos atletas e dos fãs que, supostamente, seria o motivo básico para praticar esportes. Além do clima de alegria e esperança, construído por profissionais do marketing, qual o outro importante “clima da Copa da Fifa”?
A cada Copa, piora o clima; nesta, brutalmente! Além da novidade de serem mais seleções, maneira de os milionários dirigentes da Fifa e seus associados ganharem ainda mais dinheiro, realizar o evento em três países pode até ser bom para as gestoras de aeroportos e companhias aéreas, mas é péssimo para atletas, torcedores e para o clima que rege a vida dos habitantes do planeta! Neste aspecto, países podem até evitar um 7×1, mas perderão feio no que tange à sustentabilidade! O evento será e já está sendo uma catástrofe, plenamente evitável! Não seria prudente não realizar eventos assim catastróficos? Não que disputas esportivas devam ser banidas, mas que sejam reformuladas, de forma a se tornarem minimamente compatíveis com a saúde dos atletas, dos fãs e do planeta! Tal mudança não seria no interesse dos nossos filhos e netos?
Realizar a atual Copa emitirá duas vezes mais gases de efeito estufa que a média dos eventos anteriores. Cientistas estimam que o evento será responsável por emitir entre 9 e 13 milhões de toneladas de GEE, tornando-a a mais poluidora da história! É uma fração do que emite apenas a Trumplândia, mas ainda assim quantia desnecessária!! Não apenas a Fifa e o Trump agem contra os interesses dos esportistas, leitores e da humanidade em geral, colocando suas receitas acima do bem estar de todos, como também ela é uma recorrente utilizadora do nefasto greenwahing. Agrava o quadro o fato de que se comportam como ela a quase totalidade das corporações dos mais diversos setores da sociedade, às nossas custas, nós que compomos essa mesma sociedade!
Por ridículo que seja, na Copa de 2022, o já então presidente da FIFA pediu aos torcedores que postassem uma mensagem dizendo o que fariam para preservar o ambiente e salvar o planeta; isso, como parte da campanha da instituição máxima do futebol para tornar a Copa carbono neutra! Patético, ridículo e mesmo ofensivo, não? Parece refletir o clima nas ditas altas esferas!
Já em 22 a Copa foi uma bomba de carbono: exigiu mais de 1.000 voos diários, e no presente ano serão muitos mais! E o elevado calor em vários locais da disputa também colocará atletas e torcedores em perigo. Nos locais mais quentes os estádios têm ar-condicionado, dirão alguns. Verdade, o que pode até reduzir o risco aos presentes, à custa de agravá-los para o restante da humanidade, em razão da energia consumida.
As transformações necessárias para que as disputas esportivas deixem de beneficiar apenas uns poucos milionários, às custas de atletas e da humanidade, são imensas, algumas ainda desconhecidas, mas todas urgentes!


