O cerco está se fechando para Bolsonaro (por Mirian Guaraciaba)

Bolsonaro não está gostando do que está vivendo. Não anda feliz. Ontem, nem apareceu para trabalhar

atualizado

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Hugo Barreto/ Metrópoles
O ex-presidente Jair Bolsonaro
1 de 1 O ex-presidente Jair Bolsonaro - Foto: Hugo Barreto/ Metrópoles

Ver o ex-Presidente Donald Trump desembarcando em Nova Iorque para se apresentar à Justiça, onde será formalmente acusado de criminoso, dá um refresco na alma. Esperança. Pensemos naquelas fotos de frente e perfil dos delinquentes, digitais. Assim deve ser com Trump. Um ex-Presidente, pela primeira vez na história dos Estados Unidos, no banco dos réus. Tomara.

Por aqui, Bolsonaro se prepara para ir à sede da Polícia Federal, nesta quarta. Vai tentar esclarecer o caso das jóias presenteadas pela Arábia Saudita, e que, por pouco, não foram surrupiadas pelo ex-Presidente. Não por falta de insistência dele. Até hoje, não se sabe a troco de que Bolsonaro recebeu tal presente. Nem quantas joias chegaram por aqui.

Consta que no sítio de Nelson Piquet tem mais “presentes”. Bolsonaro não está gostando do que está vivendo. Não anda feliz. Ontem, nem apareceu para trabalhar em seu primeiro dia como presidente de honra do PL. Se tem uma coisa que Bolsonaro abomina é a labuta, mesmo num cargo de faz de conta. O salário de $ 40 mil está garantido.

Bolsonaro anda sorumbático. Ontem, foi mais um dia ruim. Informação de Andréia Sadi e Marco Antônio Martins, no site do G1, trouxe um novo elemento à denúncia de tentativa de golpe durante o processo eleitoral. Anderson Torres, então Ministro da Justiça, foi pessoalmente a Bahia ordenar (à PF e polícia militar) que eleitores de Lula fossem impedidos de chegar às zonas eleitorais. Levava um mapa  eleitoral – produzido por uma assessora – indicando os lugares onde Lula teve mais votos.

Bolsonaro será julgado por isso. Torres, obviamente, não agiu por conta e risco. Estava cumprindo ordens. Bolsonaro será condenado por isso. Espera-se.

Torres está preso desde os atos terroristas de 8 de janeiro. Fala-se que se sente sozinho e ameaça com delação premiada. Para Bolsonaro, seria o fim do caminho. Manipulador, golpista, Bolsonaro tem tudo a perder. Fez o que quis no processo eleitoral, manobrou orçamento, distribuiu benesses sem respaldo legal. Ele tinha a chave do cofre. O que ele não tinha – não tem – é vergonha na cara e respeito às leis.

Bolsonaro não perdeu as eleições por pouco. Perdeu por muito. Seu jogo foi bruto, fora das “quatro linhas”, usou e abusou da máquina do governo. O cerco está se fechando. Chegou sua hora, Bolsonaro.

 

Mirian Guaraciaba é jornalista 

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