O Centro do Rio de Janeiro (por Ricardo Guedes) 

O Rio acirra a sua crise financeira com a Copa do Mundo em 2014, agravada pelas Olimpiadas de 2016

atualizado

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Conceição Freitas/Metrópoles
Centro do Rio de Janeiro
1 de 1 Centro do Rio de Janeiro - Foto: Conceição Freitas/Metrópoles

Vou sempre ao Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa, que tanto me acolheu, que tanto gosto, e que morei. Mas há muito tempo eu não andava no Centro do Rio. Fui ao Edifício Avenida Central, e fiquei perplexo quando vi a Avenida Rio Branco literalmente fechada. Por lá, circulam os trens do VLT, que ligam o Aeroporto Santos Dumont à Rodoviária, subutilizados. A Avenida Rio Branco, juntamente com a Avenida Presidente Vargas, formava o eixo viário fundamental do Centro, vital para a sua funcionalidade e sobrevivência. Porque o VLT não foi feito na Uruguaiana, por exemplo? Ou por trem aéreo, se assim indispensável? Houve estudo de viabilidade que contemplasse estes aspectos? Na análise social, podemos definir o erro como uma relação tripartite entre os objetivos a serem alcançados, as decisões tomadas, e as condições externas que possibilitam ou não chegar a esses objetivos. Se o objetivo era revigorar o Centro do Rio, as decisões foram erradas, ocorreu o inverso. Nas calçadas da Rio Branco, muito pouca gente andando, talvez 1/5 das pessoas do que há 15 anos atrás. A demanda se foi, as empresas também. Prejuízo para os negócios, os proprietários de imóveis, e para toda a região. Para a Cidade do Rio de Janeiro.

O Rio acirra a sua crise financeira com a Copa do Mundo em 2014, agravada pelas Olimpiadas de 2016, com sua adesão ao Plano de Recuperação Fiscal nesse ano, acertadamente, que hoje vai aos trancos e barrancos. Governos e Prefeituras se sucederam, sem muita harmonia. Aumentou a violência na cidade, principalmente no Centro da região Centro-Sul, agravada pela situação de pobreza na área da Matriz da Candelária, que se estende às Cracolândias nas regiões da Central do Brasil e da Zona Portuária. O fechamento da Rio Branco não foi benéfico para o Centro, com sua mudança paulatina para a Barra da Tijuca. A Avenida das Américas está repleta de grandes empresas, mas as pequenas e médias empresas, principalmente as de escritórios e de serviços, não tiveram para onde se realocar. Seria como fechar a Paulista, ou a Faria Lima, em São Paulo; ou a Avenida Afonso Pena em Belo Horizonte; e nas demais capitais e grandes cidades. O que ocorreria com a oferta e demanda dessas regiões?

O fechamento da Rio Branco foi uma pá de cal no Centro do Rio Janeiro.

A tempo. A imprensa noticia que está em estudo a implementação de linha aquaviária rápida para passageiros entre o Galeão e o Santos Dumont com translado em cerca de 20 minutos, com início previsto possivelmente para 2024. Este sistema, uma vez implementado, irá cruzar perpendicularmente a navegação das cantareiras e de barcos entre o Rio e Niterói. Esperamos que a viabilidade deste projeto seja bem definida e que as medidas de segurança sejam efetivamente tomadas para bem dos usuários e das tripulações.

Ricardo Guedes é formado em Física pela UFRJ, Mestre em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, e CEO da Sensus

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