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Blog do Noblat - 22 anos

O Brasil não está pobre! Ficou caro! (por Roberto Caminha Filho)

A nossa Copa do Mundo é fazer com que voltemos a morar entre as delícias da Disney e as alegrias da Sapucaí.

03/08/2026 09:00, atualizado 03/08/2026 10:21
Vinícius Schmidt/Metrópoles
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Os lares brasileiros são invadidos, todos os dias, por uma sensação muito estranha, aquela da Beth Carvalho, que diz:

Sem haver uma solução

Do que me serve um saco cheio de dinheiro

Pra comprar um quilo de feijão

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O brasileirinho está entrando no supermercado com 300 pilas no bolso e saindo com duas sacolas. Vai ao posto de gasolina e completa apenas a velha metade do tanque. Recebe o salário na sexta-feira e, na segunda, já está fazendo contas e falando, com muito amor, ao “agiota”, sentado na praça do shopping, porque sabe que não dá para chegar ao fim do mês. Enquanto isso, no Paraguai, os vizinhos enchem o tanque com a nossa gasolina. Há alguma coisa errada na nossa aritmética.

A sensação é a mesma, do Pico da Neblina ao Pico da Bandeira onde pegamos nossos boletos: como tudo ficou caro! Ainda aparece um gaiato para maquiar os preços das guloseimas.

O “engraçalhado” é que o nosso Brasil continua desfilando com a fama de uma das grandes economias da Terra. Produz de tudo para milhões de pessoas, enche navios de minério, petróleo, café, carne, soja, celulose, aviões, laranja, maconha, cocaína e muitas outras commodities (produtos que fazem outros). Não faltam capacidade de trabalho nem recursos naturais. O que pesa no bolso do brasileiro é o custo de orar, respirar e viver.

As patadas que o “Trúmpi” e o Xi Jinping estão dando, aumentando o preço de alguns dos nossos produtos em mais 12,5%, no caso americano e 55%, no caso da carne, aos chineses, vai ajudar na sobra de latas, saco e picanhas, nas nossas prateleiras, e os produtos tendem a promoções.

Ficou feio aqui dentro, pois o Lourão alegou que o Brasil falha no combate ao trabalho forçado. Cabe a nós, nos nossos rádios, jornais e televisões, nos explicarmos melhor. Ou não?

Pagamos muito caro pela comidinha. Pagamos caríssimo pela falta de energia ruim. Pagamos caro pelo caquético transporte. Pagamos caro pelos juros mais altos do mundo. Pagamos caro para produzir, para vender, para comprar e até para pagar as contas. Ficamos devendo até nas igrejas. Tudo isso com o Paraguai rindo e crescendo, com os nossos produtos saindo por menos da metade do preço.

É como se estivéssemos comprando passagem na LATAM, de primeira classe, e viajando com o bumbum amassado pelos bancos de aço do velho Maracanã.

O brasileirinho transformou-se em estrategista. A dona de casa, o sangrado aposentado, o estudante e o trabalhador fazem contas de cabeça que fariam inveja a muitos alemães, Pós-Doc em matemática. O consumidor compara marcas, espera promoções, pesquisa preços na internet, usa aplicativos, aproveita descontos e faz milagres com o PIX, especulando, primeiramente, entre jogar nas Bets ou na Mega.

O Ministério da Educação talvez devesse reconhecer oficialmente esse novo curso: “Especialização em Fazer o Salário Durar Até o Dia 30”. O problema é que o preço das coisas raramente depende das estratégias.

Quando compramos uma banana, não estamos pagando e levando somente a banana. Estamos pagando o péssimo transporte, o pior combustível, a ausente manutenção das estradas, a dançante energia, os impolutos impostos, os custos da distribuição, a farta burocracia e o delicado financiamento de quem a colocou na prateleira.

A banana chega ao mercado carregando uma mochila cheia de despesas. Na Amazônia isso ainda se torna mais difícil de calcular.

Uma caixa de Camu Camu, produzido no interior do Amazonas, percorre rios, estradas e canoas até alcançar a mesa do consumidor. Muitas vezes, o frete pesa mais que a própria mercadoria. O mesmo acontece com o pescado, a pimenta, o cheiro verde, a farinha, o açaí e tantos outros produtos amazônicos. A Vitamina C que vem no suco do Camu Camu é divina e salva!

E essa conta chega ao consumidor. O brasileiro também aprendeu uma nova pergunta. Antigamente dizia:

— Quanto custa?

Hoje pergunta:

— Em quantas vezes? E tome juros.

O PIX revolucionou a velocidade do pagamento, mas infelizmente ainda não aumentou a velocidade com que o salário cresce, muito mal acompanhado de uns jurinhos.

O Brasil nunca teve falta de talento. Nunca faltou criatividade ao seu povo. O brasileiro transforma dificuldade em oportunidade com uma habilidade admirável. O desafio agora é fazer com que todo esse esforço renda mais qualidade de vida.

Talvez seja por isso que, ao sair do supermercado, tanta gente ainda repita a mesma frase:

— O Brasil não está pobre! O Brasil ficou caro.

Já temos muitos espertos recebendo as Bolsas Brasileiras e morando no Paraguai.

A nossa Copa do Mundo é fazer com que voltemos a morar entre as delícias da Disney e as alegrias da Sapucaí.

Roberto Caminha Filho, economista, já viveu em um Brasil melhor.