O azar do futebol (Por Carlos Portinho)

Inúmeros atletas envolvidos com apostas no futebol colocam sob suspeita a lisura de diversas partidas

atualizado

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Imagem colorida da torcida do Flamengo no Maracanã
1 de 1 Imagem colorida da torcida do Flamengo no Maracanã - Foto: Divulgação/instagram

Nesta semana os principais veículos de mídia do Brasil revelaram um grande escândalo. Inúmeros atletas envolvidos com apostas no futebol colocam sob suspeita a lisura de diversas partidas, inclusive do principal torneio do país, a Série A do Campeonato Brasileiro. O futebol é um jogo de sorte? Bom, definitivamente o futebol não é um “jogo de azar”. No esporte bretão a estratégia e a habilidade individual são os fatores que decisivamente contribuem para o resultado, restando pouco espaço ao acaso. Tratar o futebol de modo diferente é sujeitá-lo a toda sorte de manipulação.

O mesmo de certo modo aconteceu com o turfe e, como resultado, o dinheiro das apostas passou a ser a principal receita, para a infelicidade dos verdadeiros turfistas a olhar para as arquibancadas vazias. Enfim, foram-se os torcedores (turfistas) e vieram os jogadores (apostadores), junto com a inevitável suspeita sobre alguns resultados, o que sempre ocorre quando o prêmio passa a ser o mais importante – e nem tanto o espírito de competição. Se devemos nos preocupar? Certamente.

No Brasil, como no resto do mundo, os patrocínios dos sites de apostas trazem novas receitas ao futebol e estão nas camisas dos principais clubes, estimulando o “jogo de azar”, a despeito da ilegalidade. Igualmente, não há aqui somente a “ingenuidade” das “malas brancas”. Não bastasse o conhecido caso “Edilson”, agora vemos que também é verdade o interesse dos jogadores em “fazer uma fézinha”, atuando dentro das suas próprias partidas e lucrando com isso.

Diante do cenário, temos que agir. Além do rigor que se reclama da FIFA, e mesmo aqui internamente da CBF, a anunciada reforma do Código Brasileiro de Justiça Desportiva deve se antecipar ao problema, como estamos vendo na ação do Ministério Público. Além disso, o Congresso Nacional precisa ser rápido na regulação das casas de apostas. Em conversas com a equipe econômica do atual governo federal, adverti que a preocupação deve ser justamente com a fiscalização. Precisamos formar um grupo tático e especializado no combate a manipulação, que envolva Governo, Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público, Federações, Confederações, e seus Tribunais Desportivos, assim como o Poder Judiciário. Contudo, em um país que mal consegue manter preso corruptos e corruptores, receio o que poderá nos reservar o futuro do futebol brasileiro se o assunto não for tratado a sério e com o máximo rigor. Somente a desconfiança já não é nada bom para o esporte. Azar do futebol!

Carlos Portinho é senador pelo Rio de Janeiro

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