O amor, o chanceler alemão e o banco Master (por Tânia Fusco)

Se eu fosse influencer, numa live, monetizava o amor. Se fosse um coach, ensinava cinco passos para o amor perfeito.

atualizado

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Malte Mueller/Getty Images
arte colorida de mulher concertando um coração por causa de um amor ruim
1 de 1 arte colorida de mulher concertando um coração por causa de um amor ruim - Foto: Malte Mueller/Getty Images

Sendo um chanceler alemão, louvaria o tamanho do amor pela pátria de meu ancestral colega, Adolph Hitler, e seu grandioso gesto de fazer a guerra e, em campos de concentração, matar seis milhões de judeus, além outros cinco milhões por razões de raça, política ou ideologia. “Por pouco, não finalizamos o trabalho”, lamentaria para jornalistas, na volta de visita a “horrorosa” a Amazônia brasileira.

Fosse Daniel Vorcaro, dono do banco Master, indagaria:  o que são 12 bi de prejuízo pra quem tem “fortes amigos em Brasília”?  Este não é o caminho das pedras? Onde foi que eu errei? Assim, do nada, os fortes já me desamaram?

Não há amor na xenofobia de Friedrich Merz, o chanceler alemão.  Há despudorada manifestação de aversão e desprezo pelo diferente, pelo mais fraco, pelo estrangeiro. Ele não está sozinho no desejo expresso de exclusão social e negação de direitos aos desiguais, imigrantes ou não, que ousam a proximidade de habitar seu país.

Não é diferente na Espanha, Itália, Portugal, em países nórdicos, nos Estados Unidos…  Estrangeiros voltam a ser demonizados, agredidos, mortos por gente que pensa e sente como o chanceler alemão.

Pra esses novos Hitlers, proteger a natureza, salvar florestas, limpar rios e mares até pode ter certa urgência, mas defender e abrigar gente desigual na pele, na língua, no cheiro, nas crenças já é outra coisa. Melhor mantê-los longe e, se possível, ameaçados e submetidos. Melhor ainda, mortos.

Nos tempos de máxima e promissora tecnologia, o mundo globalizado serve desumanidades a granel.

O mundo, parece, desandou em desamor de muitas formas e muitos sintomas. Aí estão, sob o nosso nariz, o cinismo da corrupção exposta, o despudor das defesas públicas pela manutenção de privilégios, a violência espalhada e afrontosa.

O que revela o escândalo do Banco Master?  Só práticas despudoradamente repetidas?

Que história conta as seis versões do PL Antifacção?  Luta política? Distintos modelos para enfrentamento do poderoso crime organizado? Ou garras das organizações criminosas exibindo sua força nas decisões no parlamento brasileiro?

O amor, estado de graça, que na sua vigência torna a vida humana de verdade, parece, anda descaminhado, quase desaparecido, ou sem função. Precisa de novas regras. Pede nova Constituição. Exige melhores e maiores advogados para defendê-lo. Em regime de urgência.

PS.:  Estudo realizado por pesquisadores ingleses e norte-americanos, revela que o beijo na boca acontece desde antes da época dos neandertais. É costume que tem 21,5 milhões de anos.

O beijo na boca é manifestação mais visível de amor.

Nem tudo está perdido.

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