Não é não (por Mirian Guaraciaba)

O labirinto de desejos e angústia de jovens meninos e meninas

atualizado

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Reprodução/ João Bidu
Jovens brindando e se divertindo
1 de 1 Jovens brindando e se divertindo - Foto: Reprodução/ João Bidu

Tempos novos, estranhos, para os que já viveram mais tempo. Não usamos o mesmo tom de 30, 40 anos atrás. Sequer pensamos como pensávamos nos limites pré-pandemia. As mudanças sociais, de comportamento, ocorreram à velocidade da luz, não conseguimos alcançá-las. Quando se reflete sobre uma conversão, nova mutação nos desafia.

Falo dos jovens. Quem não tem netos adolescentes, pré-adolescentes, certamente tem filhos nessa idade. Ou convivem – ou já conviveram com eles. A adolescência tem a profundeza de um abismo. Não se arrisque, se não souber lidar com esse mundo provocador. Cada dia mais desconcordante.

Vai atrever-se? Acolhimento é a palavra chave, o segredo de tudo. Temos a obrigação de fazê-lo, seja quem for, de onde for, pra onde pretende ir. Proteção, respeito, abrigo, amparo. Palavras não faltam. Falta atitude. Colos não faltam. Há pais e mães. Tios, avós. Sobram preconceitos. Hora de mudarmos os adultos para que os jovens cresçam em relativa paz, a paz possível.

São surpreendentes os jovens. 11, 12, 13, 17 anos. Deixe-se levar para uma conversa sem compromisso, vai aprender com eles. Sente-se com eles, saia com eles, passeie com eles, pergunte do “namoradinho” ou da “namoradinha” com interesse, sem desapreço. Sem pré-julgamento, se o menino tem um namorado, a menina, uma namorada. Tente, sem invadir seu espaço sagrado, saber de suas angústias e desconfortos.

São espetaculares os jovens. Ensinamento em pedra bruta. Sabem de coisas que, às vezes, acreditem, desconhecemos. Seu universo é tão paralelo que não entramos nele. Podemos rondá-los, adivinhá-los, admirá-los pela coragem que (quem sabe?) não tivemos. Foi-se o tempo em que o adulto, sempre dono da razão, desprezava as crenças e convicções de nossos adolescentes.

É tempo de percepção, e, acima de tudo, compreensão. O cenário é radicalmente oposto ao de poucos anos atrás. Jovens curiosos da vida, em sua maioria, querem experimentar o que se apresenta. Não, não falo de drogas. Não é minha praia. Falo de gente, de amor. De amigos e amigas.

Quem somos nós para ditar o futuro dos jovens? Devem ser héteros, assim manda o figurino. Não! Daquela sigla que não tem fim (LGBTQIA+) e o H de heterossexual, o que vão escolher só será da nossa conta se for para apoiá-los contra a intolerância latente, a homofobia que esfola e mata. Valendo para eles a máxima dos adultos, sejam héteros ou não, sejam o que forem, o que quiserem, onde estejam, com quem estejam: NÃO É NÃO. Dito isso, resta o respeito.

NISIA

Na torcida para que seja apenas mais uma especulação da imprensa – entre centenas de outras – a troca da ministra NISIA da Silveira, para atender o centrão.

O MILAGRE COLOMBIANO

Numa mesa de almoço no sábado, dia seguinte à divulgação das primeiras imagens dos quatro irmãos, entre 1 e 13 anos de idade, localizados após 40 dias perdidos na floresta amazônica, lado colombiano, refletia-se sobre a falta que faz o jornalismo de fé, aquele que proporcionava tempo e recursos ao repórter de rua, perdigueiro, para “levantar” uma história completa, detalhada. Aquele que transportaria o leitor, o levaria a viver intensamente os 40 dias de suplício daquelas crianças.

 

Mirian Guaraciaba é jornalista 

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