Moro (Podemos) cresce: MBL nas ruas (e Eliana Calmon) (por Vitor Hugo)

Eliana ressurge, para desgosto dos adversários de Moro, como nome político e ético de importância na campanha presidencial

atualizado 27/11/2021 4:49

GIOVANNA BEMBOM/METRÓPOLES

Em menos de 10 dias, desde o ato de sua filiação ao Podemos, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília – exemplar prova de unidade partidária, organização e entusiasmo, oposto ao espetáculo de desorganização e desânimo, nas prévias inconclusas do PSDB – o ex-juiz Sérgio Moro, ex-condutor da Lava Jato não para de crescer e de surpreender: consolida-se a passos firmes e planejados, de poucos escorregões políticos, até aqui, e sobe nas pesquisas, desde que se dispôs a ocupar espaço na condição de nome da Terceira Via.

Com igual intensidade e disposição, ele bate no ocupante do Palácio do Planalto, à direita, e no ex, Lula, à esquerda, como se esperava. Além disso produziu fatos e lances políticos com foco e direção. Deu entrevistas com informações, análises e considerações polêmicas, capazes de abrir espaços nos diversos veículos de comunicação e alimentar discussões nas redes sociais. Fez discursos com força nos substantivos – nos fatos – a exemplo da ida ao encontro do Movimento Brasil Livre- MBL onde foi recebido com entusiasmo de celebridade. E ainda teve contatos relevantes de ampliação de forças: jantar com o empresário Paulo Marinho e desafetos do bolsonarismo, no Rio, e conversou com a ex-ministra Eliana Calmon, que deverá conduzir a campanha na Bahia, portão de entrada de quaisquer candidatos para alcançar os votos da região Nordeste.

No caso da Bahia, área ocupada pelo PT, do governador Rui Costa e do senador Jaques Wagner, – que à esquerda tenta voltar ao Palácio de Ondina, – navega ao centro o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, – ex DEM e atual homem forte do recém criado partido, União Brasil, no posto de secretário-geral, – até esta semana, o preferido nas pesquisas a governador. Na condição de azarão, bolsonarista, à extrema direita, surge João Roma, ministro da Cidadania, com a pasta cheia de recursos públicos destinados a arrecadar votos em troca de favores, junto a prefeitos dos grotões eleitorais.

Neste contexto, aparece Eliana Calmon, figura simbólica – local e nacionalmente – que, na condição de Corregedora-geral do Superior Tribunal de Justiça – STJ, chamou a atenção do país para os desvãos dos bastidores do Judiciário, ao cunhar a célebre expressão “Bandidos de Togas” – em aparição inesperada e contundente. Depois de aposentada, Eliana, estimulada por Marina Silva e o finado Eduardo Campos, candidatou-se à senadora e conquistou mais de 8% dos votos do estado (mais de 500 mil), sendo mais votada que a candidata do PSB à governadora, Lídice da Matta, ex-prefeita da capital, que recebeu 400 mil votos nas eleições de 2014. A ex-ministra perdeu para o atual senador Otto Alencar (PSD), apoiado pelo PT.

Eliana ressurge, para desgosto dos adversários de Moro, como nome político e ético de importância na campanha presidencial. Ela se reuniu com o virtual candidato do Podemos, dia 18 em Brasília, “para discutir soluções para o Judiciário”. O ex-juiz destacou a relevância do encontro, nas redes sociais e em suas seguintes entrevistas, citando a ex-ministra do STJ, como “uma referência na luta pela integridade dentro do Judiciário”. Eliana declarou em entrevista ao Globo: “Estou na campanha. A campanha está só começando. Pretendo trabalhar ajudando na interlocução com o Judiciáio e a OAB”. Nada mal para começar. O resto a conferir, mas o certo é que há tremores na Bahia.

 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: [email protected] com.br