Manchester, Margaret e mulheres que movem a ciência (Mariana Caminha)

Quantas Margarets podem estar, neste exato momento, trabalhando discretamente em seus laboratórios

atualizado

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1 de 1 Margaret_White_Fishenden - Foto: Reprodução das redes

De todos os anos que vivi na Inglaterra, os menos ensolarados foram em Manchester, a terceira maior cidade do país, famosa por seu legado musical, sua relevância na Revolução Industrial e, claro, por aqueles dias nublados que parecem se arrastar durante quase todo o ano.

Ainda assim, a cidade me traz boas lembranças — e muitas referências.

Na semana passada, meu amigo Rafael passou por lá e, ao visitar o Museu de Ciência e Indústria de Manchester, fotografou uma placa e me mandou: “Lembrei de você”, escreveu.

A placa fazia referência a Margaret Fishenden, um nome que, até então, eu nunca havia ouvido.

Curiosa como toda jornalista, fui atrás da história — e encontrei um relato fascinante.

Nascida em 1889, Margaret Fishenden foi física e engenheira, britânica, especializada em meteorologia, transmissão de calor e poluição do ar — áreas dominadas quase exclusivamente por homens em sua época. Pioneira, abriu caminho para gerações de mulheres engenheiras, e ajudou a consolidar a engenharia térmica como campo essencial de pesquisa no século XX, principalmente no contexto de avanços tecnológicos e eficiência energética durante e após a guerra.

Na época em que atuava, entre 1910 e 1950, o tema das mudanças climáticas ainda não ocupava o centro do debate, mas de certa forma seu trabalho se conectava a essas discussões que hoje nos são tão urgentes. Margaret dedicou esforços a otimizar o uso de energia e reduzir desperdícios em processos térmicos industriais. Ainda que sem a intenção explícita de conter o aquecimento global, suas pesquisas acabaram colaborando, indiretamente, para reduzir o consumo de combustíveis fósseis — algo que sabemos, hoje, ser crucial na mitigação de emissões de gases de efeito estufa.

Temos algo em comum com Margaret: uma mulher forte, divorciada, mãe solo e acadêmica que viveu praticamente no coração da Revolução Industrial — afinal, Manchester era um dos maiores polos têxteis do mundo. Assim como ela, que testemunhou de perto os impactos da ação humana na qualidade do ar e na saúde das pessoas, também vivemos hoje sob o peso das mudanças climáticas.

Fico pensando, por fim, quantas Margarets podem estar agora, neste exato momento, trabalhando discretamente em seus laboratórios — à espreita de uma grande descoberta científica que nos devolva a esperança de um futuro mais sustentável para os nossos filhos…

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