MAGA x TACO (por Ricardo Guedes)

Trump joga cartas com o mundo, blefando e voltando atrás

atualizado

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Lara Abreu / Arte Metrópoles
Imagem colorida de Trump na guerra entre Israel e Irã - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de Trump na guerra entre Israel e Irã - Metrópoles - Foto: Lara Abreu / Arte Metrópoles

Têm duas expressões atualmente em moda nos Estados Unidos: MAGA – Make America Great Again (“Fazer a América Grande Novamente”), e TACO – Trump Always Chicken Out (“Trump sempre volta atrás”). Interessante que TACO, termo cunhado pelo colunista Robert Armstrong do Financial Times de Nova Iorque,  em espanhol se refere, coincidentemente, à tortilha Mexicana, às vezes depreciada pelos Americanos no cotidiano das citações.

Richard LaPierre, Professor de Stanford, em seu artigo “Attitudes vs. Actions” de 1934, diferencia entre a “ideologia”, o que se pensa, e o “comportamento”, o que se faz. Há uma dicotomia entre o que se fala e como se age.

O comportamento de Trump neste episódio da Guerra entre Israel e o Irã expressa a anacronia política em que vivemos. Sentados à mesa de negociação, Israel ataca o Irã, com a negação de Trump de sua aquiescência; seguido do ataque dos B2 dos Estados Unidos, com as maiores bombas convencionais já lançadas na história mundial contra as instalações nucleares do Irã, com pouca efetividade. Trump mostra ao mundo que faz o que quer. Bombardeia um país sem a comunicação ao Congresso Americano, e a seus Aliados; e agora quer imperar sobre a paz, em um acordo instável. Uma vitória até o momento de Khomeini, que preserva o seu governo e boa parte de seu programa nuclear; uma derrota de Netanyahu, que depende do conflito para a sua sobrevivência política. O PIB dos Estados Unidos caiu de 40% em 1960 para 25% em 2023 do PIB mundial, e 25% não mandam no mundo.

Marx, no Volume III do Capital, desenvolveu a Teoria da Alienação do Poder, quando uma pessoa chega a uma situação de mando devido a um fator específico, mas após chegar ao poder acha que pode fazer o que quer além da razão que o fez ali chegar, princípio de sua derrocada.

Em 1992, o Dream Team quase perdeu para a seleção Americana Universitária, em jogo treino para as Olimpíadas. E agora, vimos o Botafogo ganhar do PSG no Campeonato Mundial de Futebol de Clubes.

Trump oscila entre ser o líder do neofascismo americano emergente, ou do autoritarismo sem representatividade da população, no mando pelo mando. Trump vai colecionando inconstitucionalidades, na deportação de imigrantes para prisão em El Salvador; proibição de Harvard ter alunos internacionais; entrada de Forças Militares em Los Angeles; ataque a outro país sem a permissão do Congresso.  Sua popularidade, segundo a última pesquisa Reuters/Ipsos de 23 de junho, cai para 41%, a menor medição até o momento, muito baixa para os standards nos Estados Unidos, com 57% de desaprovação a seu governo.

Trump joga cartas com o mundo, blefando e voltando atrás. Mas nos jogos de cartas existem regras consensuais, com todos se cumprimentando no final. Na política, interna e externa, vão ficando resquícios, por vezes insuperáveis.

A prepotência é o prenúncio da queda.

 

Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago.

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