Jogos de Inverno em Aquecimento: até quando haverá neve para as Olimpíadas? (por Mariana Caminha)

As mudanças climáticas estão redesenhando o mundo de muitas maneiras – e o esporte não está imune.

atualizado

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Gabriel Heusi/COB
Olimpíadas de inverno
1 de 1 Olimpíadas de inverno - Foto: Gabriel Heusi/COB

Terminou, neste fim de semana, mais uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. A primeira foi realizada em 1924, em Chamonix, na França. Este ano, cerca de 3 mil atletas tiveram como palco a Itália. Estive por lá no inverno passado e pude ver esquiadores exibindo suas habilidades nas montanhas de uma pequena cidade ao norte, perto de Milão.

Para nós, brasileiros, o frio é de rachar. Para eles, é mais habitual – e, ainda assim, cada vez mais ameno. Um aquecimento que coloca em risco a própria realização futura dos Jogos de Inverno.

As mudanças climáticas estão redesenhando o mundo de muitas maneiras – e o esporte não está imune. No caso das modalidades de inverno, o impacto é direto: diminui significativamente o número de cidades capazes de sediar um evento desse porte.

Um estudo publicado em 2022 na revista Current Issues in Tourism, intitulado Climate change and the future of the Olympic Winter Games: athlete and coach perspectives, estima que apenas 5% das atuais sedes potenciais manterão condições climáticas adequadas até 2100. Muitas já se encontram em uma zona marginal, onde a neve é menos consistente e mais imprevisível.

Basta observar o aumento médio das temperaturas em cidades como Milão ao longo das últimas décadas – tendência ilustrada pelas “climate stripes”, do professor Ed Hawkins, da Universidade de Reading, no Reino Unido – para entender que não se trata de projeção distante, mas de uma realidade em curso.

O estudo modela dois grandes cenários futuros: um alinhado às metas de redução de emissões do Acordo de Paris e outro baseado nas atuais tendências de altas emissões. No cenário de baixas emissões, mais cidades permanecem viáveis para sediar os Jogos ao longo do século. Já no cenário de altas emissões, muitos dos locais tradicionais passam a integrar a categoria de clima “não confiável”.

A pesquisa também mostra que regiões montanhosas de maior altitude e áreas de clima continental mais frio tendem a preservar condições adequadas por mais tempo do que localidades de menor altitude ou próximas ao mar. Ainda assim, mesmo esses redutos considerados mais resilientes apresentam queda de confiabilidade sob níveis elevados de aquecimento.

Esse novo panorama climático preocupa, e já influencia a forma como o Comitê Olímpico Internacional avalia futuras candidaturas: priorizar infraestrutura existente e confiabilidade climática tornou-se uma estratégia para reduzir riscos. Discute-se, inclusive, a possibilidade de concentrar os Jogos em um grupo menor de locais mais estáveis ou ajustar calendários para lidar com invernos cada vez mais curtos.

Se o aquecimento global continuar no ritmo atual, as Olimpíadas de Inverno poderão ficar restritas a um número muito reduzido de destinos capazes de garantir neve e frio suficientes. A tradição que começou há mais de um século depende, agora, de decisões tomadas no presente.

 

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