Golpistas, sempre golpistas (por Mirian Guaraciaba)
Caiado omitiu parte crucial da história de JK, ao prometer anistia para condenados por tentativa de golpe de Estado, em 2023.
atualizado
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O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, 76 anos, fez uma comparação soberba e ilegítima com o então Presidente Juscelino Kubistchek, em discurso na última segunda, ao ser anunciado como provável candidato à Presidência, pelo PSD de Kassab. Caiado disse que vai repetir JK, ao anistiar os meliantes condenados por tentativa de golpe de Estado, em 2023.
Para começar, Caiado nunca terá o tamanho de Juscelino. E não contou, em seu discurso, que os militares anistiados pelo então Presidente (envolvidos em tentativas de golpe no início de seu governo, 1956-1961) estavam entre os que o cassaram e o perseguiram até sua morte, aos 73 anos, em um acidente de carro na Via Dutra. Investigações sucessivas e independentes, à época, e anos depois, levaram à certeza que o carro que levava JK foi sabotado. JK foi assassinado.
JK era um líder nato, com forte apelo popular. Em 1965, pós golpe, cogitou disputar as eleições prometidas pelos militares. Juscelino saiu da Presidência aclamado. Foi eleito por Goiás, para o senado, com 90% dos votos. Não houve eleição em 65. Jk foi cassado.
Como Flávio Bolsonaro, Caiado começou mal sua campanha pelo Palácio do Planalto. Derrotou Eduardo Leite, no partido, não fez qualquer agrado ao gaúcho (que falou publicamente de seu desapontamento) e insiste em querer “pacificar” o País com anistia aos que atentaram contra a democracia.
Se é essa a pacificação de que tratam Caiado e Flavio Bolsonaro, estamos perdidos. De volta à cena, os meliantes anistiados farão tudo de novo. Com uma discrepância gritante: não haverá no governo um democrata para defender o País.
Ao contrário do discurso lenço branco da paz, Caiado veio para desestabilizar a direita. Há muitos bolsonaristas que não apoiam Flavio. O filho 01 tem ficha suja, vai passar a campanha tendo que explicar suas muitas falcatruas guardadas sob o tapete da impunidade. Poderá ter dificuldade para resistir.
Caiado tem a cara do agro, se apoia na direita radical (não me venham com centro-direita, por favor), defende com unhas e dentes sua política de segurança pública. Seu ranço antipetista passa longe da “pacificação” que pretende: “Ganhar do PT não será difícil. O difícil será governar para que o PT munca mais seja opção para o País”.
Misoginia entre mulheres, traições e ofensas
Tem de um tudo no BBB. E o negócio vicia. É o menu do Brasil, no que tem de pior e melhor. Uma “planta” tóxica, perversa, foi eliminada ontem, com alta rejeição do público. Solange Couto, 70 anos, atriz, que se tornou conhecida ao interpretar a cômica Dona Jura, na novela O Clone, TV Globo, em 2001, assumiu no reality o pior papel de sua vida: venenosa, misógina, cruel, invejosa.
Nas semanas de confinamento, Solange despejou xingamentos, adjetivos carregados de misoginia, criou histórias ofensivas para humilhar mulheres. Seu alvo preferido era a jornalista Ana Paula Renault. Mas sobrou para outras participantes. Homens foram poupados.
Aos 70 anos, esperava-se coisa melhor. Solange hoje não tem mais o humor daquela atriz histriônica. Sobrou rancor. Deve haver um motivo, sabe-se lá, para tanta animosidade. Mas ver Solange pelas costas, na eliminação dessa terça, trouxe um sopro de esperança. Os muitos milhões de votos contra ela deixaram claro que não é legal tanta intolerância.


