Fotos de Evandro Teixeira são armas contra ditaduras
Exposição fica no IMS de São Paulo até 30 de julho
atualizado
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“Fotografia: arma de amor, de justiça e conhecimento”. A definição do poeta Carlos Drummond de Andrade coincide com as impressões de uma visita à exposição Evandro Teixeira. Chile, 1973, em cartaz no Instituto Moreira Salles, em São Paulo.
Um argumento para ir até a avenida Paulista e caminhar pelas mais de 160 fotos que ocupam o sexto andar do instituto? O fotógrafo baiano, que trabalhou mais de 40 anos no Jornal do Brasil, estava em Santiago poucos dias após o golpe militar de Pinochet e foi o primeiro a registrar a morte e o velório do poeta Pablo Neruda – que segundo recentes estudos foi envenenado pelos militares chilenos.
Além das fotografias em preto e branco de luto e dor, a exposição oferece um vídeo documental sobre o enterro de Neruda, exibindo as lágrimas e a consternação das pessoas. Um momento de coragem. A cidade, sob Estado de Exceção, proibia reuniões de cidadãos. No cortejo, aos poucos amigos e militantes de esquerda foram se aproximando do caixão e o enterro se transformou na primeira manifestação contra a ditadura recém instalada.
Em entrevista, Evandro conta que esse foi o momento mais importante de sua carreira profissional, sentia participar de um momento histórico e que tentava manter as mãos firmes enquanto chorava a cada clique. As fotos sobre a morte e o enterro do prêmio Nobel de Literatura são acompanhadas por trechos de sua poesia “Peço Silêncio”.
Evandro Teixeira nasceu em Irajuba, um povoado a 307 quilômetros de Salvador, em 25 de dezembro de 1935. Após estagiar no Diário de Notícias, jornal da capital baiana, foi para o Rio de Janeiro em 1957. Começou a fotografar para o Diário da Noite e para O Jornal, matutino dos Diários Associados. Em 1961 foi trabalhar na revista O Mundo Ilustrado. Em 1963, chega ao JB para ser um dos maiores nomes do fotojornalismo.
A exposição dialoga com as clássicas fotos de Teixeira durante a ditadura civil-militar brasileira, como a tomada do Forte de Copacabana e a duríssima repressão contra manifestações estudantis. É uma exposição para quem defende a liberdade de expressão e se encanta com repórteres que são testemunhas da história. Para sentir o jornalismo pulsando nas veias.


