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Fascismo liberal é igual a voo de galinha (por Felipe Sampaio)

Não existe mercado próspero e sociedade civilizada em governos antidemocráticos

08/10/2026 10:10, atualizado 08/10/2026 10:21
Caiuá Maia/Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas
Flávio acompanha Tarcísio durante agenda em igreja evangélica em SP - Metrópoles

Costuma-se dizer que “alegria de pobre dura pouco”. Contudo, é a alegria de rico que acaba mais rápido em governos autoritários fantasiados de ultraliberais. Eleger presidente com esse perfil é como abrir a galinha dos ovos de ouro e a caixa de Pandora ao mesmo tempo – pouco lucro e um show de horrores. As paredes têm ouvido que, mal espocaram os champanhes na Faria Lima após a virada eleitoral, os gerentes de cassinos financeiros já cobram do seu candidato garantias reais de políticas anarcocapitalistas em janeiro. Ledo engano (outra vez). Governos reacionários não honram promessas de livre mercado. Não são leais sequer às frivolidades econômicas que bancaram sua eleição, menos ainda ao bem-estar do eleitor enganado que saiu de casa para elegê-los. Não tem como dar certo. É como um líder Talibã prometer livre mercado.

O coach fascista Benito Mussolini já mostrava que o ilusionismo liberal serve apenas no começo, para acalmar a parcela do PIB mais afeita a facilidades de ocasião. Em questão de meses revela-se que a tal liberdade de empreender servirá para pouquíssimos, como se pode comprovar hoje nos EUA desde Wall Street até o Vale do Silício. Outro exemplo é a economia russa, derretendo de Moscou a Kiev. Empresário que tem compromisso real de longo prazo com seu negócio (e um pouco de juízo) não deveria acreditar no canto das sereias extremistas. Melhor buscar seu “Eu” no Caminho de Santiago.

É notório que o primeiro sinal de que a canoa liberal de um governo foi feita apenas para afundar é justamente o discurso reacionário de costumes. O papo religioso cafona, o falatório anticomunista fora de moda, as bravatas militaristas, a misoginia, a homofobia, a conversa fiada sobre segurança pública, o blá blá blá sobre apoio ianque, tudo isso serve apenas para amaciar o cidadão comum, para que continue confiando no governo autocrático quando a economia afundar. E, pode crer, ela vai afundar rapidinho, como na Argentina e nos EUA. Ajuste fiscal, se houver de fato, vai servir apenas para engordar o caixa da presidência e as Emendas Parlamentares. Privatizações podem até acontecer no começo do mandato, para animar os financiadores da campanha, como houve nos governos Bolsonaro 1, Tarcísio e nos seus ícones históricos da Itália e Alemanha em meados do século XX. Economia de mercado que é bom, nem pensar.

Enquanto defendem castração química e laqueadura compulsória (para pobres, é claro), prometem corte de impostos e redução de juros. Tudo emoldurado por uma devoção subjetiva à família, a Jesus e ao livre mercado. Ficam dois alertas importantes. Para o mercado: entendam que governantes antidemocráticos na verdade praticam o estatismo nacionalista para enriquecimento próprio e jamais realizarão reformas estruturantes neoliberais. Para o eleitor conservador: reconheçam que políticos que defendem tortura, milícias e se envolvem em tretas e orgias com bandidos do colarinho branco não estão nem aí para os bons costumes e o bem-estar social.

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No fim das contas, o que acontece é privatização para amigos, cortes de impostos para ricos, liberou geral para devastação ambiental, estímulo à compra de armas, aumento da tensão social, desemprego, pobreza, taxas de risco nas alturas, gasto público duvidoso, falta de transparência, aumento da violência policial, isolamento internacional, perda de mercados exteriores, encolhimento da economia e fragilização da democracia. Não existe mercado próspero e sociedade civilizada em governos antidemocráticos.

Felipe Sampaio: Chefiou a assessoria especial do Ministro da Defesa; dirigiu a área de estatísticas no Ministério da Justiça; ex-secretário executivo de Segurança Urbana do Recife; foi diretor de programas do Ministério do Empreendedorismo; cofundador do Centro Soberania e Clima; com atuação em grandes empresas, organismos internacionais e terceiro setor.