Façam todos as suas apostas na guerra

Funcionários de Trump suspeitos de lucrarem milhões em plataformas de apostas com informações militares privilegiadas

atualizado

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Arte Carla Sena/Metrópoles sobre fotos Getty Images
Donald Trump e a guerra no Irã
1 de 1 Donald Trump e a guerra no Irã - Foto: Arte Carla Sena/Metrópoles sobre fotos Getty Images

Bet não dá. Desconfio que no futuro todas essas celebridades, jogadores, comentaristas e narradores de futebol serão considerados cúmplices desse crime financeiro e sanitário, que lava bilhões de dinheiros e neurônios pelo planeta. Todavia, o que acontece no Trumpistão é de faltar palavra, melhor, não falta, é mais um traço de uma patologia chamada extrema-direita. Há inúmeras suspeitas de que funcionários do governo laranja, de todos os escalões, estão lucrando com apostas relacionadas às guerras.

Plataformas como Polymarket e Kalshi permitem apostar em eventos reais: eleições, decisões econômicas e na guerra. Uma matéria da Associated Press, publicada no dia 9 de abril, mostrou que ao menos 50 contas recém-criadas no Polymarket fizeram apostas em um cessar-fogo entre os EUA e o Irã nas horas, e até mesmo minutos, que antecederam o anúncio do cessar-fogo feito pelo presidente Donald Trump na noite de terça-feira.

Em janeiro, um usuário anônimo do Polymarket obteve um lucro de 400 mil dólares ao apostar que o líder venezuelano Nicolás Maduro seria destituído do cargo, horas antes de Maduro ser capturado. Nas horas que antecederam o início da guerra com o Irã, outra conta lucrou cerca de 550 mil dólares em uma série de negociações, apostando efetivamente que os EUA atacariam o Irã e que o aiatolá Ali Khamenei seria destituído do cargo.

Trata-se da conversão da guerra em ativo financeiro. Esses plataformas funcionam como bolsas de probabilidade. Nelas, usuários compram e vendem contratos baseados em eventos futuros.. Em tese, seriam instrumentos de previsão agregada. Na prática, tornam-se espaços onde a informação e, evidentemente,  a informação privilegiada, pode ser convertida diretamente em lucro. E claro, tudo isso funciona sem regulação, como os liberais amam amar.

Assim, a fronteira entre especulação financeira e vazamento de inteligência se dissolve e desaba na negociação direta de eventos geopolíticos. Ok, vivemos um massacrante processo de financeirização, em que o lucro se desloca da produção. Mas o que os mercados de apostas em guerra introduzem é um passo adicional rumo ao abismo.

Virou história da carochinha (quanto tempo não usava essa palavra) os lucros dos aliados de Trump, que ganharam bilhões ao comprar dólares antes do presidente dos EUA anunciar seus ensandecidos tarifaços. Compraram na baixa e venderam na alta. Informação privilegiada é isso.

Só que nesse cenário, a instabilidade geopolítica virou recurso econômico. Quanto maior a incerteza, maior o potencial de lucro. Mortes, deslocamentos e destruição, que antes eram decisões restritas a generais e presidentes,  passam a ser variáveis de um cálculo financeiro. Quem sabe, e nesse sabe quase reside uma certeza, grandes volumes de apostas poderão amplificar narrativas e até pressionar decisões políticas. E a gente achando que os drones eram uma revolução bélica.

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