Ética, muito mais que uma palavra de cinco letras (por Fábio Scarton)

Em tempos de crise, a ética se revela como o instrumento mais potente para restaurar laços, corrigir rumos e reconstruir a esperança

atualizado

Compartilhar notícia

Fábio Vieira/Metrópoles
Movimentação na Estação da Luz em SP - Covid - Aglomeração
1 de 1 Movimentação na Estação da Luz em SP - Covid - Aglomeração - Foto: Fábio Vieira/Metrópoles

A palavra “ética” pode ser curta em extensão, mas é vasta em significado e essencial para a
convivência em sociedade. Não se trata apenas de um conjunto de regras ou preceitos morais, mas
de um alicerce invisível que orienta ações, escolhas e a própria estrutura das instituições.

Na tradição filosófica, Aristóteles já afirmava que a ética está ligada à busca da virtude e da
felicidade. Para ele, viver eticamente é agir segundo a razão, encontrando o equilíbrio entre os
excessos. Kant, por sua vez, introduziu a ideia do imperativo categórico, em que a moralidade se
dá quando se age de modo que a ação possa ser universalizada. Ambas as abordagens indicam
que a ética transcende convenções momentâneas e está enraizada na dignidade humana.

No cotidiano, a ética se manifesta nas pequenas atitudes: respeitar o tempo do outro, cumprir
compromissos, agir com honestidade mesmo quando ninguém está olhando. Em uma época
marcada pela exposição constante e pela velocidade das redes sociais, a ética se torna ainda mais
necessária – e, paradoxalmente, mais desafiadora.

No campo público e institucional, a ética é o pilar da confiança. Governos, parlamentos e empresas
não sobrevivem sem credibilidade, e esta só se sustenta quando as decisões são orientadas por
princípios, não por interesses escusos. Um exemplo marcante é a valorização crescente das
políticas de compliance, que buscam assegurar condutas éticas e prevenir desvios.

É também importante destacar que ética não é sinônimo de moral. Enquanto a moral é cultural e
variável, a ética é uma reflexão crítica sobre o agir humano. Como bem observou Norberto Bobbio,
um dos mais importantes filósofos do direito e da política do século XX, a ética moderna deve ser
pensada não apenas como um conjunto de valores, mas como um sistema de normas que busca a
convivência pacífica entre os indivíduos. Para ele, a ética pública deve estar ligada à promoção dos
direitos fundamentais e da justiça, sendo inseparável da democracia e do Estado de Direito.

Em tempos de crise – sejam políticas, ambientais ou sociais -, a ética se revela como o instrumento
mais potente para restaurar laços, corrigir rumos e reconstruir a esperança. Quando o tecido social
parece esgarçado, é pela ética que podemos reconstituí-lo com solidez e humanidade.

Por isso, mais do que uma palavra, ética é um compromisso. É um chamado silencioso, mas
constante, à integridade, à responsabilidade e ao respeito ao outro. É, em última instância, o que
torna possível a vida em sociedade.

Fábio Scarton é advogado do Senado Federal. Chefia o gabinete do senador Otto Alencar (PSD-BA)

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comBlog do Noblat

Você quer ficar por dentro da coluna Blog do Noblat e receber notificações em tempo real?