Eleições e pacto de poder (por Antônio Carlos de Medeiros)

Processo eleitoral de 2026 precisa construir e resultar em caminhos para um novo pacto de poder. A entropia bate outra vez à porta do país

atualizado

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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre
1 de 1 Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Os conflitos das elites se acirraram nas novas trombadas entre os Três Poderes. Perderam a presença moderadora de um Poder Moderador. O Supremo Tribunal Federal (STF) perdeu a sua capacidade de atuar como Poder Moderador.

O sistema político brasileiro não consegue evoluir sem Poder Moderador. É histórico. É cultural. Estamos sem Poder Moderador e assistindo ao aumento da fragilidade do Centro de Poder. Resultando em fratura entre o governo e a sociedade. Um processo entrópico de causação circular.

Já houve um tempo, na época do presidencialismo de coalizão, que as elites políticas cometeram o equívoco da tentativa de formação de grandes alianças do tipo “todos com todos”. Não funcionou. A democracia produz contradições, por definição.

Agora, o país ensaia uma espécie de guerra de todos contra todos. Também não vai funcionar. O “caso Flavio Bolsonaro” estimula essa tendência. Os estilhaços do escândalo do Banco Master se espalham pelo espectro político. Nesta toada, o ambiente de tensão e conflito vai piorar quando começar a Campanha para valer, em 16 de agosto.

Para conter a entropia será preciso que o ciclo eleitoral em curso até novembro conduza as elites políticas para debater e construir um projeto de país. Uma atitude de autodefesa e sobrevivência política. Do jeito que vai, corremos o risco de entrar em 2027 com processo entrópico e mais crise. Perdemos todos no final.

O caminho, tenho defendido aqui, é a costura e construção de uma Frente Ampla com capacidade para vencer as eleições, alargando o horizonte da agenda e do apoio político. Sem frente ampla, o país vai continuar a mercê do sectarismo e da polarização regressiva.

É preciso construir maiorias eleitorais consistentes que resultem em agenda consensual de políticas públicas e, portanto, em capacidade de governança e governabilidade. Tudo isto está em falta no Brasil.

Durante o processo eleitoral, e depois, a Frente Ampla resulta em legitimidade política e capacidade convocatória para dialogar com as forças políticas, sociais e empresariais que poderão configurar um novo bloco de poder.

Novo bloco de poder. Este é o busílis.

O Brasil não pode mais esperar a corda arrebentar. O país não pode ser refém dos conflitos das elites, fraturado pela distância entre Estado e sociedade.

A conjuntura política aponta para a necessidade de um novo SOS Brasil. Como na época das “Diretas Já”. Como no período da Constituição de 1988. Como nas Manifestações de 2013.

Um novo SOS Brasil que resulte em roteiro de transição política para o período 2027-2031.

Com o devido cuidado para não criar panfletos e palavras de ordem, intuo que a História política do Brasil aponte, neste momento, para este caminho de uma transição.

Transição para nova Agenda. Transição de renovação de elites políticas para um eventual ocaso da Era da Polarização entre o bolsonarismo e o lulopetismo. Transição para um novo ciclo de restauração do Estado brasileiro.

A permanência de alta indecisão de voto para presidente da República (em torno de 60%). A existência de 80% de indecisos entre os eleitores independentes. E a volatilidade potencial do voto.

Tudo isto indica que há energia social em busca de mudanças.

Resta torcer para que Suas Excelências os políticos se aproximem do atendimento destas expectativas.

 Antonio Carlos de Medeiros  é pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science.

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