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É triste ser brasileiro hoje (por Eduardo Fernandez Silva)

Pode-se orgulhar de termos mais de 50 milhões de pessoas sofrendo a vida com menos de 5 dólares por dia?

atualizado 17/08/2021 3:08

A pandemia da covid-19 aumento dos índices de pobreza em todo o DF Hugo Barreto/Metrópoles

Já tive orgulho de ser brasileiro e quero voltar a ter. Falo por mim mas sei que muitos concordam. Alguns emigraram e outros têm ainda mais motivos para a tristeza: não são brancos, nem saudáveis, pouco estudaram e, pior, não sabem se amanhã terão comida, muito menos diversão e arte. É bastante geral a sensação de que o Brasil caiu num fosso que se aprofunda, e nada de luz no fim do túnel! A realidade parece surreal!

Por que chegamos a esta situação? Muitos jogam a culpa em algum bode da vez: os gringos, os portugueses, os comunistas, os capitalistas, os maconheiros, os caretas, os sem terra, os com terra, …. Há até quem diga que o culpado do crime é sua vítima: o ‘povinho’ brasileiro!

Mais importante é discutir como sair dessa triste situação. Essa resposta aqueles que pretendem altos cargos na República deveriam dar. Deles, porém, nada se ouve nesse sentido: não sabem, ou não se arriscam, ou escondem suas intenções e compromissos. E nós, brasileiros e brasileiras de todas as cores, continuaremos sem motivos para ter orgulho do que deveria ser a pátria amada.

Para amá-la é necessário que ela também nos ame, que nos seja gentil, nos proteja, nos dê esperanças, cuide de nós e não nos deixe com fome de comida, de saúde, de saídas. Queremos nossos campos com mais flores e bosques com mais vida, e em nosso seio mais amores. O que se canta no hino não se vê na realidade; caso víssemos, teríamos razões para o ter orgulho do nosso país.

Às vésperas de uma eleição crucial, não parece haver um único candidato que aponte caminhos que não sejam mais do mesmo, o que dá mais medo de continuarmos sem saída e sem orgulho!

Será motivo de orgulho que nesta pátria exportadora de alimentos  ainda haja tanta fome? Pode-se orgulhar de termos mais de 50 milhões de pessoas sofrendo a vida com menos de 5 dólares por dia? Pode haver orgulho em conviver com uma taxa de assassinatos tão elevada? Governo entra, governo sai, e a tristeza permanece! Nossas autoridades não se envergonham de nos envergonharem todo tempo e seguem, impávidas e impunes, corresponsáveis pela degradação da nossa vida. Como ter orgulho? Não é triste viver em tal país?    Precisamos de propostas concretas. Melhor definir pequenos passos que tragam clara melhoria da qualidade de vida do que insistir na miragem do “desenvolvimento”.

Sugiro alguns desses passos: acabar com o lixo nas ruas, rios, campos e cidades, passo inicial para o ideal de lixo zero; pontualidade no transporte coletivo, ganhando os usuários mais de meia hora por dia; renda básica universal da ordem de R$ 400,00 ou R$ 500,00 mensais, financiada por uma nova estrutura tributária, mais simples e progressiva; domínio do português e da aritmética aos dez (?) anos de idade, por todos nessa faixa etária. Alcançadas essas transformações da realidade atual, em quatro anos, teremos todos razão para orgulho e para dizer: “Tristeza por favor vá embora, quero voltar àquela vida de alegria, quero de novo cantar”.

 

Eduardo Fernandez Silva. Ex-Diretor da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados

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