Duas reformas (por Cristovam Buarque)

Nosso MEC é na verdade um ministério de ensino superior, que distribui uma parte pequena de seus recursos para a educação de base

atualizado

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Governo de SP/Divulgação
Imagem colorida mostra sala de aula vazia em escola de São Paulo. Local tem quatro fileiras com mesas brancas e cadeiras verdes - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra sala de aula vazia em escola de São Paulo. Local tem quatro fileiras com mesas brancas e cadeiras verdes - Metrópoles - Foto: Governo de SP/Divulgação

Às vezes um problema novo pode ajudar a resolver problema antigo. Neste momento, o governo precisa fazer uma reforma ministerial para ter base de apoio no Congresso, e há décadas o Brasil precisa reformar a estrutura de governo para assumir a responsabilidade com a educação de base. Enquanto o MEC precisar cuidar do ensino superior, suas funções e recursos ficam comprometidos sobretudo com universidades. Seus dirigentes sem tempo, nem obrigação absoluta com a educação de base que fica entregue aos prefeitos. As crianças sem um ministério para se responsabilizar por sua educação. Todo país que prioriza a educação de base separa a gestão destes dois segmentos, com um ministério dedicado à educação de base. No Brasil, as universidades estaduais são administradas pela Secretaria de Ciência e Tecnologia.

O Brasil não terá uma estratégia consistente nem política efetiva para a educação de base de suas crianças enquanto não tiver um ministério comprometido com este setor da educação. Deixando a educação de base sob a responsabilidade dos municípios, pobres e desiguais. Nosso MEC é na verdade um ministério de ensino superior, que distribui uma parte pequena de seus recursos para a educação de base, deixada nas mãos dos municípios e dos estados.

Precisamos libertar a educação de base da tutela que as imensas forças políticas das universidades dispõem, levando nosso ensino superior para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Neste momento, esta reforma estrutural deixaria o competente e experiente ministro Camilo Santana livre para atender de forma concentrada no compromisso com a educação de base, ao mesmo tempo que facilitaria o acomodamento da reforma em um ministério robusto com as universidades reunidas no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Ensino Superior.

A reforma ministerial com o propósito de dar força ao governo no parlamento daria também prioridade à educação de base e eficiência no setor fundamental da geração do conhecimento.

Cristovam Buarque foi ministro, senador e governador

 

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