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Duas eleições críticas: Brasil e Estados Unidos (por Ricardo Guedes)

Assim como Minas Gerais é o “swing state” da política no Brasil, o Brasil é o “swing country” da política mundial.

23/10/2026 11:00
Arte / Metrópoles
Trump e Lula

Estados Unidos, Brasil e Canadá são os três países mais importantes das Américas, e das Américas para o mundo. No Brasil, será decidido neste domingo 24 de outubro quem será o próximo Presidente da República; e nos Estados Unidos, neste 02 de novembro, ocorrerão as Midterm Elections, renovando todas as 435 cadeiras da House of Representatives, 1/3 dos 100 Senadores, e 36 dos 50 Governadores dos Estados Norte-Americanos. Em ambas as eleições estão em jogo suas economias e a democracia, para esses países, para o Continente Americano, e para o mundo.

Do ponto de vista econômico, os Estados Unidos, embora declinante em sua importância relativa, são a primeira economia do mundo, com o maior parque industrial, tecnológico e militar do planeta, com o PIB hoje de US$ 30,77 trilhões, equivalente a 24% da economia mundial; tendo representado 40% da economia do globo terrestre em 1960. O Brasil é hoje a 10ª economia do mundo, com PIB de US$ 2,28 trilhões, estratégico por sua extensão, seus recursos naturais como água e florestas (ar), extensa área agricultável, petróleo, minérios em geral, terras raras, e com nichos mundiais de produção, como a agropecuária, a mineração, a Embraer e o setor financeiro. E o Canadá é a 10ª economia do mundo, com PIB de US$ 2,32 trilhões, e economia diversificada. No Brasil a economia não vai bem, estancada em US$ 2,2 trilhões desde 2010. Nos Estados Unidos, o custo de vida tem aumentado mais do que a renda da população, com o preço do galão de gasolina passando de US$ 3,50 no início deste ano para US$ 5,00 nos dias de hoje. No Canadá, o PIB cresceu de US$ 1,66 trilhão em 2020 para US$ 2,32 trilhões em 2025, mas com inflação de 3% em 2026 e crescimento do PIB projetado em 1,3% para este ano.

Do ponto de vista político, os Estados Unidos são a maior democracia do mundo, com 237 anos de existência, hoje ameaçada por Trump, no não seguimento estrito da Lei e na tendência de possível tentativa de quebra da ordem institucional, como no 6 de janeiro de 2021 na invasão do Capitólio; e de sua “Doutrina Donroe” hoje para o mundo, na tentativa da extensão militar e política dos Estados Unidos em relação a outros países, diante de seu declínio econômico frente à China e à economia mundial. No Brasil, Flávio Bolsonaro traz de volta as políticas de Jair Bolsonaro, que culminaram na tentativa de quebra da ordem institucional no 8 de janeiro de 2023. No Canadá, Pierre Poilievre, o candidato à direita, em 2025 teria ganho as eleições contra Mark Carney não fosse ter Trump declarado que gostaria de ver o Canadá incorporado aos Estados Unidos como o 51º Estado Norte-Americano.

As eleições no Brasil são fundamentais. Assim como Minas Gerais é o “swing state” da política no Brasil, o Brasil é o “swing country” da política mundial. O Brasil apresenta alto índice de miscigenação de povos e culturas, na representatividade do mundo; e com desvio-padrão da distribuição da renda equivalente ao desvio padrão da renda mundial.

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O Canadá é um país que representa um poder moderador entre as nações, assim como a França na Europa.

Trump, com 33% de aprovação de seu Governo, deve perder as Midterms nos Estados Unidos, em um sistema onde é necessária a aprovação de mais de 50% do incumbente para a sua prevalência, com menor controle sobre a House of Representatives e o Senado. No Brasil, Lula e Flávio Bolsonaro encontram-se em situação de equivalência, em ambiente politicamente instável e com volatilidade de voto, ao sabor do curso dos últimos escândalos; na escolha do “menos pior”. São duas eleições fundamentais para o futuro próximo do planeta.

Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago