Doria-Memória:Bahia em nome do pai (e da mãe) (por Vitor Hugo Soares)
João Doria em campanha na Bahia
atualizado
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O ex-governador de São Paulo, João Doria Jr, (PSDB), não poderia ter escolhido roteiro melhor e mais exemplar que o cumprido semana passada na Bahia, se queria fazer uma viagem sentimental, política e cultural às suas origens, como declarou no vídeo postado nas redes sociais ao decolar no vôo com destino a Salvador, depois de deixar de deixar o palácio do governo paulista, para mergulhar no redemoinho de águas profundas e revoltas de campanha presidencial que se anuncia feroz e devoradora. Da histórica capital cidade de Rio de Contas, na Chapada Diamantina:reencontro com a memorável história do pai, João Agripino Doria Costa Neto, ex-deputado cassado e exilado político no governo João Goulart, deposto pelo golpe de Abril de 64; e d a mãe, Maria Sylvia Vieira de Moraes Dias , a grande heroína do filho.
Já na sexta-feira, 8, na entrevista evocativa de mais de uma hora, transmitida para todo o estado pela Rádio Metrópole, sob o comando de Mário Kertész – ex-prefeito de Salvador -, os baianos foram postos frente a frente da reconstituição de uma dramática epopéia política e familiar que para muitas testemunhas da época “daria um belo romance ou grande novela da TV brasileira”. Na verdade, o retrato doce amargo de um tempo ainda de muitos pontos obscuros e submersos.
Neste caso, a história da família do ex-governador e ex-prefeito de São Paulo, ao lado do pai deputado pelo Partido Democrata Cristão-PDC, impetuoso e de idéias transformadoras para além de sua época, principalmente no campo do marketing, aliado e amigo leal do ex-presidente João Goulart, derrubado do governo legal e constitucionalmente eleito, por militares (e civis), golpistas de 64.
Na entrevista, Dória lembrou duros dias de infância, quando sua família teve que deixar o País, de repente.Com a ajuda crucial do deputa Ulysses Guimarães, o parlamentar entrou na embaixada da então Tchecoslováquia ,em Brasília, com a esposa Maria Sylvia e os dois filhos, João Doria Junior, de seis anos, e Raul, de um ano. Dali todos seguiram para o Rio de Janeiro, e foram colocados em um voo para Paris, onde a família viveu entre 1964 e 1966. Enquanto o pai estudava psicologia na Sorbonne, sustentava a todos vendendo, um a um, os quadros de sua coleção de pinturas de Di Cavalcanti, que Maria Sylvia havia arrancado das molduras e levada na bagagem para a Europa.
Tem mais da conversa rediofônica: paradas comovidas, momentos de risos e alegrias, de provas de firme resistência, amizade leal e solidária de companheiros da política, de parentes, conterrâneos e amigos solidários, mas também de abandonos, traições e deserções, mas a história é longa e não cabe neste espaço. Registre-se que o postulante ao Palácio do Planalto, achou tempo para reunir-se com as bases tucanas no estado, e trocar abraços com o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, e o atual Bruno Reis.A Neto, do UB, líder das pesquisas ao Palácio de Ondina, o visitante rasgou sedas: “Ele que já foi grande prefeito será também um grande governador do estado da Bahia” < /span>
Dória pegou a estrada para completar o seu roteiro, no interior.Na lendária Rio de Contas, visitou o cartório que guarda registros preciosos da família e a casa do avô, construída no século XIX. “Teve até dancinha na minha visita a Rio de Contas… Beijos carinhosos aos meus conterrâneos.Em especial a Simone Reis.Excelente dançarina”, postou o tucano na despedida, na legenda do vídeo em que aparece dançando ao som de fanfarra. Precisa desenhar?
Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br


