Diferenças entre a liderança de Lula e Bolsonaro (por Ricardo Guedes)
Lula e Bolsonaro apresentam perfis completamente opostos
atualizado
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Max Weber em Economia e Sociedade identifica três tipos de lideranças. A primeira, a liderança tradicional, baseada em valores e atitudes já consagrados, eficazes ou ineficazes, onde deve-se fazer o que anteriormente já foi feito. A segunda, a liderança carismática, baseada em novas ideologias e atitudes, corretas ou incorretas, que possibilitam as mudanças sociais. A terceira, a liderança racional, baseada na adequação da ação a fins estipulados, adequados ou inadequados, que institucionalizam o funcionamento de um modelo social.
No caso de Bolsonaro, a sua liderança é a carismática, de mudança da sociedade e mesmo de abolição da democracia, a qual seus eleitores seguem como uma verdadeira seita. No caso de Lula, o seu voto expressa a conjunção da liderança tradicional, caracterizada pelo petismo com suas formas já institucionalizadas de percepção e ação, e da liderança racional, na expectativa de resultados que se adequem a fins.
Bolsonaro perdeu parte significativa de seu eleitorado quando faltou como líder a seus liderados. Simmel em The Philosophy of Money diz que que o líder e o liderado têm uma relação recíproca de subordinação e superordenação em suas atitudes e valores. Bolsonaro faltou aos seus ao sair do Brasil e ao não endossar publicamente os atos de 8 de janeiro, em direção oposta ao objeto social que ele próprio criou.
Lula foi eleito pelo voto tradicional do PT e pelo voto racional do seu leitor adicional para a manutenção da democracia e a recuperação da economia, dependendo fundamentalmente de seus resultados. Na recente pesquisa Datafolha, 30% se declaram Petistas e 22% Bolsonaristas. Somam 52% do eleitorado. Na pesquisa IPEC anterior, 57% gostariam de uma alternativa entre o PT e Bolsonaro. Na pesquisa Sensus, o núcleo duro de Bolsonaro, que incita e aceita a violência, é de 2% do eleitorado. Bolsonaro não volta mais e Lula depende de seus resultados para a sequência política.
Falta um plano econômico ao Governo Lula que case as pontas da demanda e da oferta, como em 2003 a 2010, para o bom desenvolvimento político, social e eleitoral.
Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus


