Delação de Vorcaro se tornou o evento eleitoral (por Leonardo Barreto)
Segundo cálculos da imprensa , a delação de Daniel Vorcaro deve ser concluída entre o final de junho e o mês de setembro, considerando os prazos médios desse tipo de medida. Isso torna a delação um dos principais eventos do calendário eleitoral deste ano. Provavelmente, este é um cenário que não agrada ninguém, considerando o […]
atualizado
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Segundo cálculos da imprensa , a delação de Daniel Vorcaro deve ser concluída entre o final de junho e o mês de setembro, considerando os prazos médios desse tipo de medida.
Isso torna a delação um dos principais eventos do calendário eleitoral deste ano.
Provavelmente, este é um cenário que não agrada ninguém, considerando o alcance já evidenciado das duas relações. Há uma forte injeção de imprevisibilidade no processo político, o que é sempre ruim para a estabilidade do sistema político porque coloca em xeque a lisura do resultado eleitoral.
Ao final, dependendo do relatório e do que for vazado ao longo do processo, haverá sempre quem acusará a autoridade investigativa – ou mesmo o investigado – de tentar influenciar as eleições.
Com uma bomba programada para detonar durante a campanha, o debate de agendas tende a perder força e a virulência dos discursos a aumentar. A criação de fossos profundos levará, como já se viu em 2014, a rompimentos entre os atores que, depois da eleição, aumentarão o custo da governabilidade, considerando que as alianças ficarão mais difíceis de serem costuradas.
Por último, é importante lembrar que a própria autoridade investigativa está sendo questionada. Recentemente, viu-se uma atuação intensa dos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino para colocar limites nas CPIs. Se o padrão se repetir, é provável que haverá um trabalho de contenção do processamento de delação dentro do STF e do uso de informações derivadas daí na comunicação dos candidatos. Tudo dentro de um clima de disputa e desconfiança entre ministros.
Do ponto de vista da disputa, haverá muita incerteza para os candidatos e uma oportunidade de favorecimento para nomes que não foram tocados por Vorcaro. Sob a perspectiva da saúde e da qualidade do debate eleitoral, trata-se de uma ameaça real que reduzirá a agenda de propostas e comprometerá a qualidade do processo como um todo.
Leonardo Barreto, doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília


