Vandalismo em nome da pátria (por Elisa Mattos)
Lula toma posse mas bolsonaristas tocam o terror em Brasília
atualizado
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No curto espaço de uma semana, Brasília se tornou centro das atenções do mundo. Porém, motivos antagônicos distanciam os dois momentos.
No dia primeiro de janeiro, Luiz Inácio Lula Silva tomou posse como novo Presidente da República, seu terceiro mandato como chefe do Executivo. Para subir novamente a rampa do Palácio do Planalto, Lula enfrentou trilhões de perrengues, derrubou inúmeros inimigos, buscou forças sabe Deus onde para se manter vivo. Ressurgiu como um fênix salvador, capaz de tirar o Brasil do lamaçal produzido nos últimos quatro anos
pelo desastroso governo de Jair Bolsonaro. Foi uma disputa apertada, desonesta, violenta, alimentada por fakes news, manobras políticas e fartas canetadas garantindo sigilo para os desmandos.
No domingo ensolarado do primeiro dia de 2023, a Esplanada dos Ministérios se transformou num gigantesco palco de comemoração da grande vitória. Uma festa linda, tranquila, tomada de bandeiras vermelhas, arco-íris, verdes e amarelas, cantos, tambores, danças, rezas e exaltações de alívio e esperança. Um dia especial como há muito não vivíamos, eu estava lá e vi muita gente com lágrimas de emoção nos olhos.
Oito dias depois, o que assistimos foi um exército de ensandecidos ocupar a Praça dos Três Poderes, na tentativa de destituir Lula da Presidência. Inconformada com a derrota nas urnas, a seita de fanáticos bolsonaristas jurou não dar trégua. E cumpriu a promessa.
Homens, mulheres, idosos e até crianças, ignoraram a segurança comandada pelo governador Ibaneis Rocha, aliado de Bolsonaro, e destruíram tudo que viram pela frente. Os criminosos invadiram com sangue nos olhos os prédios do Supremo Tribunal Federal, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto. Quebraram vidraças, móveis, computadores, aparelhos eletrônicos, obras de arte, peças de valores históricos. Montanhas de entulhos. Só não invadiram o gabinete do Presidente porque a porta é reforçada. Portanto, não teve o sonhado golpe dos insanos.
A ofensiva era sabida pelas autoridades local e federal há vários dias, foi fartamente anunciada nas redes sociais, por vídeos gravados pelas lideranças, matérias na imprensa. Mais de cem ônibus lotados de golpistas chegaram de várias partes do país e não foram impedidos de entrar na cidade. Ao contrário, a marcha de cinco quilômetros foi protegida pela polícia. Deu no que deu. Uma ação selvagem, orquestrada entre poderes escusos e fanáticos. Um ato terrorista.
O que se espera agora é que as autoridades ajam com o rigor da lei. E do bom senso. Não é possível deixar os integrantes desse movimento antidemocrático agirem ao bel prazer. Temos o direito de saber os nomes e as entidades que movimentam os marionetes.
Quem vota nessa gente, aplaude, dá abrigo, dinheiro, força física, apoio explícito ou camuflado, também é responsável pela tentativa de desestabilizar a democracia brasileira. O governo mudou, ponto. Vamos tocar a vida, produzir, gerar renda, consumir, estudar, sair da obscuridade e ignorância. Ser feliz.
Elisa Mattos é jornalista


