Cuidado com os marroquinos (por Miguel Esteves Cardoso)
Portugal e Espanha lixam-se, claro — toda a Europa é obviamente maltratada. Mas a Inglaterra safa-se, estranhamente
atualizado
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Se está interessado em saber porque é que Marrocos vai ganhar o Mundial, diga adeus a 10 minutos da sua vida e vá até ao Guardian assistir às previsões futebolísticas do mayor de Nova Iorque, Zohran Mamdani.
Não reduza Mamdani a uma descrição de mau perdedor: o reizinho da Wokolândia, a mascote de todos os betinhos de extrema esquerda, etc.
Mamdami é um eleito. Ganhou mesmo as eleições em Nova Iorque. É inteligente. É simpático. É afetuoso. É um socialista genuíno, que quer mesmo ajudar os que mais precisam.
Estejamos do lado dele ou do lado oposto, sejamos amigos ou inimigos, temos muito a aprender com ele.
Antes de começarmos a gozar com os conhecimentos futebolísticos do moço — o que não poderemos deixar de fazer, mesmo que grande parte desse gozo seja de europeus do futebol a gozar com americanos do soccer — é preciso reconhecer a coragem e o atrevimento de Mamdani.
As escolhas futebolísticas dele serão sempre politicamente interpretadas pelos cidadãos que o elegeram (ou que estão a pensar em votar nele) — e grande parte desse eleitorado é composto por emigrantes, fiéis ao país onde nasceram, pelo menos no que toca ao futebol.
É preciso ver que Alexander Abnos, o idiota do Guardian que entrevista Mamdani, é um fanboy de Brooklyn: desde que os Beatles aterraram nos EUA que não se viam e ouviam tantos gritinhos.
Mamdani vai atrás, colaborando na adoração de si próprio. Comecei a contar o número de Wows, Oh Gods e Oh Mans mas desisti quando o meu ábaco se desfez.
A certa altura, Marrocos e o Senegal encontram-se num quarto-de-final 100% fictício, e ambos os nova-iorquinos desatam aos gritinhos, com Abnos a garantir “It will be an incredible game!”, como se já estivesse marcado.
Portugal e Espanha lixam-se, claro — toda a Europa é obviamente maltratada. Mas a Inglaterra safa-se, estranhamente — porventura porque está cheia de fãs de Mamdani.
Vá lá que é Marrocos — com quem também simpatizamos — que leva a taça.
(Transcrito do PÚBLICO)


