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Cuba e Brasil (por Eduardo Fernandez Silva)

Em Cuba sobram ineficiência, corrupção e burocracia, assim como no Brasil. Falta, também como no Brasil, educação cívica

atualizado 25/04/2022 23:31

Hotel Urbano/Reprodução

Visitando Cuba, muitas semelhanças com o Brasil se destacam. A primeira é que se, num passe de mágica, a população cubana for substituída por igual número de brasileiros, exceto pelo idioma quase ninguém perceberia a mudança. Cor, musicalidade, tipo físico, intensa miscigenação se manteriam iguais. Assim também a enorme e indesejável quantidade de lixo espalhado pelas ruas, rios e campos. O que mudaria?

A educação. A população cubana, em média, é a que tem mais anos de escolaridade na América Latina, enquanto a brasileira é das que tem menos. Então, cabe a pergunta: se uma população tão mais educada emporcalha seu país dessa maneira, o que falta para que hábitos menos danosos sejam adotados?

Em Cuba sobram ineficiência, corrupção e burocracia, assim como no Brasil. Falta, também como no Brasil, educação cívica, a noção de comunidade e respeito a terceiros que se pode ter e se deve esperar em qualquer país. Faltam também recursos, e não só financeiros. Diferentemente do Brasil, o bloqueio econômico e financeiro imposto pelos EUA agrava esta e todas as demais questões na bela ilha. Também inexiste uma ação governamental clara, envolvendo inclusive os meios de comunicação – sob pleno controle do Governo na terra do Fidel – para lembrar que o local mais limpo não é o que mais se limpa, mas o que menos se suja, como acontece no Japão, Formosa e noutros locais.

Em Cuba, além dos problemas de equipamentos quebrados que não são ou demoram a ser concertados – alguma semelhança com o Brasil? –, há descaso da população e das autoridades – como ocorre noutros países –, com consequências graves na saúde coletiva e, pois, nas finanças públicas.

Cuba sofre também com a disposição inadequada dos resíduos e com a pequena parcela destes que é reciclada, fato que não lhe é exclusivo. Numa pesquisa de opinião realizada em 2018, 97% dos entrevistados manifestaram-se muito preocupados com a situação, e igual proporção se disse ciente dos malefícios que isso causa à população. Como também ocorre noutros locais, 63% afirmaram que o problema decorre de existirem poucas latas de lixo nas ruas. Afirmação equivocada, pois naqueles outros países citados praticamente não há desses recipientes! Responderam faltar caminhões de coleta 53%, e 49% debitaram o problema à ineficiência da administração. Mais de 90% consideram a “falta de responsabilidade social da população” como a causa original situação do lixo em Cuba. Noutras nações, onde a falta de escolaridade impera, grande parte da população afirma que o problema decorre da “falta de educação” da população.

Voltando ao Brasil, o exemplo de Cuba deve nos ensinar que “mais escolaridade”, apenas, não resolverá problema tão grave. Será necessário, ao contrário, aprender entre outros com Formosa, que já foi chamada de “ilha de lixo” e hoje é exemplo de destinação adequada dos resíduos.

 

Eduardo Fernandez Silva. Mestre em Economia. Ex-Diretor da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados

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