
Brasil: oligopólio permanente (por Ricardo Guedes)
No Brasil, entre o econômico e a população se situa o político, como um “colchão” de amortecimento entre o econômico e o eleitor.

Simon Commander, que foi Diretor e Professor do Centro de Estudos das Economias Emergentes da London Business School, tem escrito sobre as Autocracias Modernas, regime caracterizado pela continuidade de um grupo político no poder no acordo com parcela da elite empresarial em torno de benefícios recíprocos e controle social. Hoje, 2/3 da população mundial vivem sob Autocracias.
Trump tenta implantar nos Estados Unidos esse modelo.
O Brasil não se caracteriza como uma Autocracia Moderna, devido à rotatividade de grupos políticos no poder, mas o Brasil pode ser caracterizado como um Oligopólio Econômico Permanente, equivalente em seus efeitos a das Autocracias Modernas.
Whight Mills, em “A Elite do Poder”, diz que manda o Econômico, garante do Militar, executa o Político, e intermedia o Intelectual, caracterizado pelas Universidades e Imprensa.
No Brasil, entre o Econômico e a População se situa o Político, como um “colchão” de amortecimento entre o Econômico e o Eleitor.
Philipe Schmitter, Brasilianista, diz que o Brasil é o país mais bem sucedido do Ocidente no controle da População por uma Elite. Entra Governo e sai Governo, e a Elite Econômica é a mesma, com a mesma força e regalias, entronada no poder. Mudam-se a siglas, mas não o poder.
No Brasil não há uma Elite como existente nos Estados Unidos, na Europa e nas Autocracias Modernas, onde os poderes Econômico, Militar, Político e Intelectual se reúnem, quase que continuamente, em clubes profissionais e outras organizações, para discutir o destino das nações. Aqui, esses grupos são funcionalmente dissociados, na manutenção do status quo.
Não que não tenhamos ilhas de eficiência, como a Embraer, a Mineração, o Setor Financeiro e o Agrobusiness, verdadeiros “insulamentos burocráticos” necessários para o andamento do país, como conceituado por Edson de Oliveira Nunes. Mas, na média, a Elite Econômica do Brasil reinveste muito pouco na economia, somente 17% do PIB anual, para a média mundial de 26%; China 41%; Índia 33%; Estados Unidos 22%; União Europeia 22%. O PIB do país não cresce desde 2010, estancado em US$ 2,2 trilhões; enquanto o mundo foi de US$ 67 trilhões para US$ 111 trilhões; Estados Unidos de US$ 15 trilhões para US$ 29 trilhões; China de US$ 7 trilhões para US$ 19 trilhões; União Europeia de US$ 15 trilhões para US$ 20 trilhões.
Assim não vai.
Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e Autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança”
