Brasil experimenta o que é estar na zona de influência americana
Trata-se de um aprendizado para o Brasil
atualizado
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(por Leonardo Barreto)
Em dezembro de 2025, a Casa Branca publicou suas diretrizes de segurança para o continente americano, o que foi chamado à época de “Corolário Trump à Doutrina Monroe”.
Em janeiro de 2026, no texto “Trump lembra ao Brasil que a Geografia Importa”, analisamos os recados direitos que estavam endereçados no documento.
A mensagem geral era a de que os EUA passaram a considerar eventos regionais como questões que importam à sua segurança interna, se permitindo tomar decisões sobre outros países sem ter que percorrer a via diplomática.
Olhando em perspectiva, quando o governo de Donald Trump decide classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, pode-se dizer que o país experimenta pela primeira vez o que significa estar na zona de influência americana.
E o que Flávio Bolsonaro tem a ver com isso?
O candidato do PL não tem responsabilidade direta, mas cumpriu um papel.
Flávio Bolsonaro foi, de fato, convidado oficialmente a visitar Donald Trump sem ter feito nada para tanto. Aos seus círculos próximos, ele confessava, na véspera da viagem, a surpresa pela agenda inesperada e que não tinha ideia do que se tratava.
O anúncio logo após a sua visita mostra que Trump usou Flávio para dar legitimidade a um anúncio que já estava pronto. Quando um dos principais candidatos da oposição vai diretamente ao líder de outro país pedir pela medida, isso confere a ela alguma sustentação e ameniza críticas pela sua unilateralidade: “foram vocês (ou uma parte de vocês) que pediram”.
Trata-se de um aprendizado para o Brasil.
É ingenuidade de Lula ou de Flávio acharem que podem influenciar ou até manipular governos americanos a fazerem qualquer coisa. Nesse novo normal, é preciso compreender mais seriamente o que significa estar nessa zona americana e compreender as possibilidades e restrições de ação que estão no pacote.


