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Bolso, vida e juventude são os trunfos da oposição (Leonardo Barreto)

No mercado eleitoral, assim como no econômico, há sempre a oferta e a demanda

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No mercado eleitoral, assim como no econômico, há sempre a oferta e a demanda. Do lado dos produtos, quem controla o que estará disponível para o eleitor é o sistema político. Já aquilo que os “consumidores” querem é fixado pelo fluxo de problemas públicos e sua priorização.

Concentrando na demanda, já é possível ter uma pista do que vem aí. Provavelmente é algo que pode ser resumido em bolso, vida e juventude.

A economia é sempre um tema de eleições. O governo aposta no crescimento do emprego e da renda das pessoas. A oposição focará no aumento de impostos, juros altos, endividamento e inadimplência das famílias. A questão da inflação ainda está aberta.

Na guerra de narrativas, é essencial para Lula a aprovação da isenção do IR para sustentar a ideia que o governo não aumentou impostos, mas fez justiça tributária, tirando dos ricos para dar aos pobres, mesmo que tenha começado o esforço tributário pelo andar de baixo, com a taxa das blusinhas.

O outro ponto, que conversa com pautas tradicionais da direita, é a segurança pública. Os combates recentes no Rio de Janeiro e o debate sobre alternativas para conter o crime organizado estão na ordem do dia e incomodam demais ao governo.

Segundo a pesquisa Quaest, a segurança é o principal problema do país para 30% dos brasileiros, item líder em apontamentos. Há uma polarização sobre o tema que é mais institucional, e coloca a visão da esquerda em rota de coalizão com o que a maioria da sociedade pensa.

Trata-se de uma ameaça ao projeto de reeleição, especialmente pelo seu efeito agregador, tendo conseguido reunir governadores de direita sem que o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro precisasse ser mencionado.

Foi a primeira vez que o debate nacional se configurou fora do padrão Lula vs. Bolsonaro, mas Lula vs. convicções de políticas públicas que, no caso da segurança pública, são majoritariamente contrárias ao petista.

Trata-se de um cenário novo e desafiador que tende a tirar o presidente da zona de conforto da polarização contra Bolsonaro, que tem uma rejeição maior do que a sua. Também é um prenúncio do que Lula vai enfrentar ao ter que desafiante um candidato trinta anos mais novo do que ele se os nomes forem Tarcísio de Freitas ou Ratinho Jr., que possuem 50 e 44 anos de idade, respectivamente.

A contradição entre o novo e o velho vai ser um elemento novo das eleições de 2026. E não se trata apenas da questão etária. Lula é frequentemente acusado de apenas requentar ideias velhas neste terceiro governo. O apelo por novidades é uma das forças da oposição e possui uma atração natural junto ao eleitor.

Leonardo Barreto, doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília

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