Belém e a teimosia boa de quem muda o mundo (Mariana Caminha)

Estou há dez dias em Belém, mas a sensação é de que passou muito mais tempo.

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Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, cerimônia de abertura da 30 Conferência das Partes da ConvençãoNações Unidas Mudança do Clima COP30 Metropoles 1
1 de 1 Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, cerimônia de abertura da 30 Conferência das Partes da ConvençãoNações Unidas Mudança do Clima COP30 Metropoles 1 - Foto: Ricardo Stuckert / PR

Se tivesse de arriscar uma imagem, diria que uma COP é uma espécie de Met Gala do clima. Ou talvez um Coachella, para os aficionados por música. Só que, em vez de atrizes, modelos, cantores e bandas, as celebridades aqui são cientistas, representantes de povos indígenas, especialistas em mudança do clima, economistas e grandes nomes de inúmeras áreas do conhecimento.

Gente como as minhas colegas de jornada: Reyes, bióloga apaixonada por plantas; Ana, engenheira industrial e expert em transição energética; e Magali, que além de gostar de melancia — como a personagem da Turma da Mônica — é economista e especialista em políticas públicas para o clima.

Estar cercada de pessoas assim faz desta COP uma experiência especialmente rica para jornalistas como eu: generalistas, curiosos, questionadores e profundamente envolvidos com o tema.

Outro aspecto fascinante desta edição é o movimento que acontece fora das zonas oficiais — a Azul e a Verde. A Casa Vozes dos Oceanos, organizada pela família Schürmann, virou ponto de encontro no fim da tarde. Do cinema ao ar livre montado ali, dá para ver o veleiro Kat, tão querido por nós brasileiros. É emocionante.

Foi nesse cinema que assisti, outro dia, ao documentário ambiental Blue Carbon, narrado pela produtora musical e toxicologista marinha Jayda Guy.

Filmado no Senegal, Estados Unidos, França, Colômbia, Vietnã e Brasil, o documentário revela a capacidade extraordinária que os oceanos têm de capturar quantidades de carbono muito superiores às das florestas tropicais. É um filme belíssimo — visualmente arrebatador — com passagens profundamente tocantes e alertas urgentes sobre a necessidade de proteger esses ecossistemas.

Belém nos lembra, dia após dia, que a luta pelo clima está longe de ser abstrata. Ela tem cheiro, cor, ritmo, gente — e ambições diversas. Tem floresta, rios, mares — e uma urgência que pulsa.

Mal entramos na segunda semana da COP, mas já é possível sentir uma força coletiva tomando forma, algo entre esperança e teimosia.

O pessoal do clima é cabeça dura mesmo: focado, incansável, aguerrido. É assim que se faz uma COP. É assim que se muda o mundo.

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