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Basta de monólogo, o pessoal quer diálogo (por Fernando Guedes)

O que são os filiados aos partidos políticos se não colaboradores? E colaboradores voluntários.

atualizado 03/07/2022 3:45

Ilustração com o logo de diversos partidos Arte/Metrópoles

Outro dia, durante reunião de assessores de comunicação, vimos que a TV mostrava um “comercial” de précandidato às eleições de outubro. E tivemos o insight para este texto. Aí vai…

Os seis maiores partidos do Brasil – MDB, PT, PSDB, PP, União Brasil e PDT – têm, juntos, perto de 10 milhões de filiados. É pouca gente? Se levarmos em conta que, segundo o TSE, o Brasil tinha, em 30 de abril, 149.836.269 eleitores, é pouco. Mas, mesmo assim, é uma força eleitoral importante que, mobilizada, pode garantir grande incremento às campanhas.

Entretanto, quem acessa os portais e as redes sociais dessas legendas, vê que os dirigentes não ligam muito para a comunicação interna e, assim, deixam meio de lado essa gente toda.

No marketing comercial, a comunicação interna consagra o princípio de que os colaboradores – os trabalhadores das empresas – são os melhores divulgadores das marcas, os melhores embaixadores dos produtos e serviços oferecidos pelas organizações. Inspirados pelas lideranças, os colaboradores impulsionam negócios, aprofundam relações, fidelizam parcerias. Os colaboradores ouvem e, principalmente, são ouvidos pelos líderes.

E o que são os filiados aos partidos políticos se não colaboradores? E colaboradores voluntários. Assinam as fichas de filiação porque querem, porque se sentem identificados com as ideias e projetos defendidos – pelo menos, no programa partidário – por aquela organização.

Quantos influenciadores, quantos líderes, ou potenciais líderes, estão ali, misturados nesses 10 milhões de mulheres e homens? E quem conversa com essa gente?

Ah! Para isso, existe o horário dos partidos no rádio e na TV, dirão alguns.

Mas, nestes tempos de aplicativos que permitem reuniões virtuais até de mihares de pessoas durante uma hora, a comunicação deixou de ser essa via de mão única, onde o candidato, em monótonos monólogos, exalta os próprios feitos, repete promessas e aponta defeitos dos adversáriospara um passivo espectador/ouvinte acomodado no sofá da sala…

A tecnologia criou, além de máquinas e equipamentos, um novo cidadão que, dono de celular, tablet, PC e notebook, fala e quer ser ouvido, dá opinião e quer ser levado em conta. É gente que quer ser tratada pelo nome.

Então, pra gente aqui na S H I S Comunicação, muito mais produtiva do que esses 20, 30 segundos de monólogos repetidos nos intervalos comerciais é uma reunião de 50, 100 pessoas que, durante 60 minutos ouvem o candidato, comentam as ideias dele, apresentam propostas e fazem reivindicações.

É difícil entender como as lideranças políticas desprezam esse tipo de comício virtual. Imagine uma reunião com 50 pessoas. Se cada uma dessas 50 compartilhar o vídeo do encontro com outras 10 e essas 10 compartilharem com mais 10 e assim sucessivamente (como diria um professor de matemática) quantos eleitores seriam alcançados?

Na TV e no rádio são aqueles 20, 30 segundos e tchau…

Uma boa conversa com o eleitorado, vai deixar todo mundo querendo cantar como Gonzaguinha: Eu acredito é na rapaziada que segue em frente e segura o rojão, eu ponho fé é na fé da moçada…

Ao contrário, o surrado e ultrapassado monólogo dá vontade de cantar o grande bolero de Evaldo Gouveia e Jair Amorim: Conheço bem tuas promessas, outras ouvi iguais a essa, esse teu jeito de enganar conheço bem

 

*Fernando Guedes é diretor da SHIS Comunicação

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