Basta de Covardia (por Cristovam Buarque)

O prejuízo causado ao BRB pela má governança e pela incompetência do governador deveria ser pago pelo próprio governador

atualizado

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Primeira-dama, do DF Mayara Noronha Rocha e o governador Ibaneis Rocha, promove Dia D da campanha Vem Brincar Comigo brinquedos criança Metropoles 8
1 de 1 Primeira-dama, do DF Mayara Noronha Rocha e o governador Ibaneis Rocha, promove Dia D da campanha Vem Brincar Comigo brinquedos criança Metropoles 8 - Foto: null

Poucos comportamentos revelam de forma tão clara o caráter de um dirigente quanto a covardia de lançar sobre subordinados a culpa por sua própria incompetência. O Brasil assistiu isso quando o governador do Distrito Federal assistiu seu secretário de Segurança e comandantes da Polícia Militar serem responsabilizados pela participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Nos meses e semanas que antecederam aqueles acontecimentos, ele não se manifestou contra as insinuações golpistas que questionavam a legitimidade das urnas eletrônicas e promoviam manifestação e ocupação em frente a quarteis pedindo intervenção militar. Mesmo sem fazer declarações explícitas de apoio ao golpe, aceitou nomear como secretário de Segurança ao ministro da Justiça do governo que ensaiava o golpe. Para muitos, a intenção dessa nomeação era evidente e foi denunciada por muitos: as suspeitas se confirmaram no dia 8 de janeiro.

No entanto, em vez de assumir sua responsabilidade, o governador agiu de forma oposta à esperada de um dirigente com caráter: não deu apoio a seus subordinados e lançou toda a culpa sobre eles. Assiste à condenação de seu ex-secretário a 24 anos de prisão, um quarto de século. Como se não tivesse nenhuma responsabilidade pelos fatos, assiste ao fim da carreira de cinco oficiais superiores, comandantes da Polícia Militar, condenados, cada um deles, à pena de 16 anos de prisão. Enquanto isso, o governador permanece livre, isento, indiretamente tripudiando os subordinados que ele próprio escolheu, comandou e abandonou.

Dois anos depois, esse padrão de conduta se repete ao atribuir ao presidente do Banco Regional de Brasília a culpa por um ato insano, incompetente ou corrupto de aplicar R$ 12 bilhões de recursos do banco  público na tentativa de salvar um banco privado falido. Após participar das negociações para este ato e, ao que tudo indica, induzir seu subordinado a cometê-lo, o governador afirma que permaneceu “calado e mudo” durante todo o processo, transferindo novamente a responsabilidade para outro. Enquanto seu subordinado tende a ser punido, tornar-se um renegado no mercado financeiro e talvez enfrentar prisão, o seu chefe distribui sorrisos em campanha eleitoral para ocupar o cargo de senador da República, eleito pelos brasilienses. Para viabilizar sua eleição, apresenta planos para “salvar” o BRB do rombo bilionário que causou, jogando a conta sobre o povo do DF: seus próprios eleitores pagando a conta e o elegendo. A culpa, mais uma vez, recai sobre o outro, o público: a população pagará com a venda de patrimônio público ou com cortes em áreas essenciais: servidores sem reajuste, alunos sem merenda, policiais sem equipamentos, doentes sem medicamentos, estradas sem manutenção. A conta da incompetência e da irresponsabilidade empurrada mais uma vez para os outros: desta vez para o povo.

O governador repete, agora em escala de bilhões de reais, a velha tradição de que os prejuízos de seus atos devem ser pagos pelos outros: seus subordinados e seus eleitores. Repete a prática de governantes que esvaziam os cofres públicos, e em vez de arcar com os custos, transferem a responsabilidade para subordinados silenciados e a eleitores que, ainda assim, continuam a votar neles.

O prejuízo causado ao BRB pela má governança e pela incompetência do governador deveria ser pago pelo próprio governador, com recursos de do patrimônio pessoal de quem se apresenta como super rico, ao ponto de se orgulhar de não precisar do insignificante salário de governador, nem de morar na “favela” chamada Residência Oficial de Águas Claras preferindo seu palácio privado.

Mas, tudo indica que os deputados distritais calarão e aceitarão jogar a culpa e o prejuizo para o povo do Distrito Federal, e que o eleitorado calará votando outra vez nestes deputados e no governador, da mesma forma que seus subordinados se acovardaram.

Esperemos que pelo menos aqueles que têm acesso a manifestação de opinião não tenham a covardia de calar diante do poder imenso do governador. Basta de covardia.

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