Barroso contra a desinformação (caso Brigitte Macron) (por Vitor Hugo)

As preocupações do ministro Barroso, da imprensa democrática e da sociedade, com o acirramento da campanha presidencial

atualizado

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Gustavo Moreno/Especial Metrópoles
Ministro Luís Roberto Barroso
1 de 1 Ministro Luís Roberto Barroso - Foto: Gustavo Moreno/Especial Metrópoles

Quem acha demais o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luiz Roberto Barroso, considerar a desinformação (as fake news, notícias mentirosas e devastadoras de reputações de pessoas no processo eleitoral) o problema mais grave a ser enfrentado na campanha presidencial do ano que começa, deveria olhar em perspectiva “Um palmo além do próprio umbigo e interesses pessoais e eleitoreiros, coisa que os nossos políticos e governantes não costumam nem conseguem fazer”, como ouvi do ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, dias antes de ser expulso de seu exílio no Uruguai, pela ditadura que se instalava no país, e ir para os Estados Unidos, então governado pelo democrata Jimmy Carter.

Olhar para a França, por exemplo, nestes dias do recrudescimento da pandemia Covid 19, a quatro meses de suas presidenciais: a primeira-dama Brigitte Macron, no olho do escândalo causado por jornal de ultra-direita, que ganhou corpo nas redes sociais, a partir da teoria da conspiração, segundo a qual “a primeira-dama francesa nasceu homem”. Esta semana, diante da dimensão assumida pelo caso, – na sociedade gaulesa, antes discreta e imune a rumores pessoais do tipo – anunciou, através de seu advogado, que está recorrendo à justiça, após os ruídos ultrapassarem as fronteiras francesas, espalhando que Brigitte veio ao mundo como Jean-Michel Trogneux (seu nome de solteira, segundo a AFP) e escondeu a mudança de sexo.

Na campanha de 2017, Emmanuel Macron teve que negar as acusações de que era homossexual. Agora, a 120 dias de tentar a reeleição (oficialmente não é candidato mas nada indica que não o será), o alvo da conspiração é sua mulher. Ela recorreu à justiça para punir os responsáveis e tentar barrar o avanço do escândalo. O presidente Macron tem 44 anos e Brigitte 68. A diferença de idades sempre foi motivo de falatório, mas a atual situação vai muito mais longe. “A primeira-dama decidiu apelar judicialmente para descobrir e punir responsáveis, e o processo já estava em curso”, confirmou Jean Ennochi, advogado nomeado por Brigitte, à agência francesa AFP, sem adiantar mais nada, salvo que a queixa será por difamação. O caso mistura fatos reais com boatos passados a “teoria da conspiração”, a partir da tese do personagem do filme famoso (Mel Gibson), segundo a qual, as melhores teorias conspiratórias são “aquelas que não se pode provar”. O resto a conferir.

E estamos de volta ao começo. Às preocupações do ministro Barroso, da imprensa democrática e da sociedade, com o acirramento da campanha presidencial que começa a crescer no país. Em Live na série “Diálogos Democráticos”, a desinformação foi o tema dominante, com ênfase na questão do impacto das notícias falsas nos processos democráticos eleitorais brasileiros e na vida das pessoas. Barroso, mais uma vez, explicitou seu temor com as campanhas de desinformação, de difamação e de ódio na Internet. “As mídias sociais, as pessoas, plataformas de Internet, os veículos de imprensa e a própria sociedade são os principais atores da desinformação”, disse o presidente do TSE, e citou os impactos das “fakes news” nas eleições dos EUA e do Brexit, no Reino Unido. Agora, na França, surge este “escândalo Brigitte Macron”. O que nos aguarda? Responda quem souber, a começar pelos candidatos – Lula, Bolsonaro, Moro, Ciro, Padilha, Simone – e seus seguidores. BOM 2O22 A TODOS.

 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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