Ascensão e queda dos Estados Unidos (por Ricardo Guedes)

A queda dos EUA guarda muitas semelhanças com a queda do Império Romano, e, certamente, com outras quedas de países e civilizações

atualizado

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Toynbee, em “A Study of History”, diz que as civilizações surgem através das “Elites Criativas”, que formatam o projeto de uma nação, que se dissolve à frente quando perdem a capacidade de adaptação às novas circunstâncias que se vão apresentando.

Roma nasce em 753 aC, segundo os valores da “virtude” romana, da força, da dignidade, da austeridade, e da perseverança. A República é constituída em 509 aC, com o Império a partir de 27 aC. Roma desvirtua-se na sucessão dos Césares. A partir de 180 dC, Roma se deteriora, caindo em 476 dC. Edward Gibbons, em “The History of the Decline and Fall of the Roman Empire”, diz que a pergunta não é por que Roma caiu, mas por que demorou tanto a cair. Caiu pelas Guerras Civis e a deterioração das finanças para se manter as províncias. Demorou a cair porque não havia um Império suficientemente grande em suas proximidades que o confrontasse. O Cristianismo substituiu a cultura romana, ajudando a sua dissolução. A Europa entra na Idade Média, enquanto o Império Romano do Oriente em Constantinopla, a Pérsia e a China prosperam.

Os Estados Unidos nasceram da Revolução Americana, de 1775 a 1783. Os “Pais da Nação” fundaram o país dentro dos princípios das teorias liberais de Adam Smith e outros, da liberdade que gera o consenso, e do mercado que gera a prosperidade. A partir de 1880, os Estados Unidos tornaram-se superavitários na balança de pagamentos, predominantemente negativa a partir de 2010. Durante a Segunda Guerra Mundial, o PIB dos Estados Unidos aumentou +69%; Inglaterra +15%; França -49%; Alemanha -19%; Itália -39; Japão -22%. Em 1960, o PIB dos Estados Unidos representava 40% do PIB mundial, caindo para 26% em 2024; China hoje com 17%; União Europeia 17%; países do BRICS somando 29%. Adicionalmente, os dados do World Inequality Report mostram que as classes médias têm sido comprimidas desde 1980, possibilitando o surgimento de líderes radicais de direita, na deterioração social, e no arrobo das decisões. Hoje, os Estados Unidos vão contra os fundamentos da nação, da liberdade política e da economia de mercado. que fizeram o país crescer.  Decai a grande nação.

O declínio das civilizações e grandes nações é geralmente acompanhado por guerras. Como diz Maquiavel, “o homem chora mais a perda de seu patrimônio do que a morte de seu pai”. No caso do “Império Britânico”, a Inglaterra perde importantes colônias a partir de 1850; Canadá em 1867; Austrália em 1901; Nova Zelândia em 1907; África do Sul em 1910. Devido ao crescimento e expansão da Alemanha e do Império Austro-Húngaro no início dos anos de 1900, a Inglaterra e a França impõem tarifas sobre os seus produtos. A Primeira Guerra Mundial eclode em 1914 em Sarajevo. Em 1917, o Tratado de Versailles impõe multas à Alemanha que chegam a 80% de seu PIB, com a emissão de papel moeda pela Alemanha em 1922 e geração da hiperinflação. Segue-se o crescimento do Partido Nazista e a Segunda Guerra Mundial.

O problema é que hoje temos a bomba atômica.

 

Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago. Autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança”.

 

 

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