As máximas de Trump: atacar, negar e desvirtuar (por Ricardo Guedes)
Um dos lemas de Trump é “transformar a derrota em vitória”, desvirtuando os fatos, sempre, tendo por base comum a mentira
atualizado
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Ainda em sua vida empresarial em Nova Iorque, Trump procurou o advogado Roy Cohn, que veio a ser seu amigo e um dos principais conselheiros, para saber como negociar a dívida trabalhista que tinha em seus negócios em Nova Iorque. Roy Cohn aconselhou não somente não renegociar, mas contra-atacar com ação indenizatória de danos morais, o que ocorreu. Os três princípios de Cohn para Trump, tão bem caracterizados no filme “The Apprentice”, que concorreu ao Oscar de Melhor Ator em 2024, foram e são os de: 1- “atacar sempre” os seus adversários e inimigos; 2- “negar sempre” qualquer verdade que o desfavoreça; e 3- “transformar a derrota em vitória”, no desvirtuamento dos fatos, sempre, tendo por base comum aos seus três princípios, a mentira.
Roy Cohn mostrou a Trump que a Lei Americana é consuetudinária, mais do que escrita, baseada em pactos e costumes, com brechas para a atuação; e assim tem Trump agido, nos negócios e na política.
A insistência de Trump de que ganhou a guerra contra o Irã independentemente dos resultados nas negociações de paz ainda em andamento, bem exemplifica estes princípios, dada a diferença entre o pretendido, da derrubada do regime, rapidez da guerra e sequente exploração de seu petróleo, e do obtido, com a continuidade do regime, longo tempo de guerra, e aumento dos preços do petróleo nos Estados Unidos, e no mundo. Sua popularidade chega a somente 33% entre os eleitores americanos, segundo a última pesquisa do The Economist. Trump vive hoje o dilema entre o seu ego político e os resultados das Midterms Elections em novembro próximo, que vão renovar os 435 Parlamentares do House of Representatives, 35% do Senado, e 36 Governadores dos 50 Estados, além de 3 Territórios, como Porto Rico.
O filme “Nuremberg” (2025), de James Vanderbilt, baseado no livro “The Nazi and the Psychiatrist”, de Jack El-Hai, mostra a interessante tese de que os nazistas eram supostamente “homens comuns”, bastando que o ódio que existe dentro de nós tenha campo para se desenvolver. O livro não teve sucesso de vendas quando então lançado nos Estados Unidos, sendo hoje “ressuscitado” em suas teses, devido ao que ocorre no mundo, propriamente nos Estados Unidos com Trump, a maior democracia do mundo, e nos bombardeios de Israel em Gaza e no Líbano, de quem sofreu com a exceção nazista.
Deus tenha piedade de nós, vítimas e predadores.
Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago


