As dificuldades da COP 30 (por Ricardo Guedes)

A COP 30, como fórum de discussão para a elaboração de uma política mundial, terá significativas dificuldades

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Usina elétrica a carvão com chaminés fumegantes contra o céu dramático do pôr do sol. Uso prejudicial de combustível em cidade grande. Metrópoles
1 de 1 Usina elétrica a carvão com chaminés fumegantes contra o céu dramático do pôr do sol. Uso prejudicial de combustível em cidade grande. Metrópoles - Foto: Getty Images

O recente Estados Unidos, com Trump, vai enviar, em enviando, representantes “proforma”; e a China, por ter o seu desenvolvimento recente baseado em consequências para a poluição, não tem interesse real de contenção. E estamos falando de 43% do PIB mundial, 26% dos Estados Unidos e 17% da China. Assim, a COP 30, sem resultados significativos para o futuro próximo da humanidade, poderá tender para o ufanismo de manifestações políticas, da tentativa da afirmação do BRICS, sem lastro de moeda, de um lado, e do novo fascismo Americano-Ocidental, do outro, sem a solução de nossos problemas; com a Europa, no meio, envolta na Guerra na Ucrânia, uma guerra geopolítica entre a Rússia e os Estados Unidos, com baixa capacidade da Europa no momento de solução de suas questões. No Mar da China, a tensão entre a China e os Estado Unidos. E a guerra no Oriente Médio, palco milenar da instabilidade mundial, aumenta a dissensão entre os países. São contornos políticos que limitam nossas decisões.

O mundo vai mal.

O aquecimento global anda a toda. A temperatura média da Terra, anteriormente projetada para +1,5oC até o final do século, poderá chegar a +2,7oC, desastrosos para o mundo. O aumento do nível do mar, antes projetado em 0,5 metros, poderá chegar em até 2 metros em 2100, o que poderia gerar o deslocamento de cerca de 1 bilhão de pessoas das áreas costeiras para o interior dos continentes, naquilo que António Guterres, Secretário Geral da ONU, chamou de “êxodo de proporções bíblicas”.

A água é cada vez mais escassa, hoje com cerca de 30 pontos de focos de possíveis guerras d’água entre os países.  A recente guerra entre a Índia e o Paquistão é nitidamente uma guerra d’água, onde a Caxemira provê 80% da água do Paquistão e 30% da água da Índia, com o fluxo de água diminuindo pelo degelo das geleiras na Caxemira.

Ações específicas podem e certamente devem ser tomadas. No Brasil, a Fundação Dom Cabral, meritoriamente, tem a iniciativa de coordenar, conjuntamente com outros órgãos e instituições do país, a discussão sobre a despoluição de nossas águas, na obtenção e recomendação de políticas específicas sobre o que se pode fazer, ponto crítico em nosso país. O possível, e o mais do que se espera do possível, deve sempre ser tentado e implementado.

No mundo, em 2100, a população deverá chegar a 10,4 bilhões de pessoas, enquanto a produtividade agrícola poderá cair em até 25%. O “Overshoot Day”, o dia em que já tomamos do Planeta o que ele pode nos dar em um ano em recursos naturais, já está em 1º de agosto, para o ano de 2024.

A matriz energética mundial, hoje, é de 85% em combustíveis fósseis, com as reservas de petróleo estimadas para mais 50 anos, total possível de reservas para 150 anos. As energias alternativas não têm como suprir a demanda atual. A não ser que possamos controlar a fusão nuclear, do Hidrogênio para o Hélio, com a geração de energia limpa, como no Sol; o que é pouco provável nos horizontes tecnológicos atuais. O futuro energético torna-se incerto.

A COP 30 se depara com desafios muito acima do que pode vir a dar, na falta de consenso político e destruição contínua do meio ambiente. Pelo menos, a COP 30 poderá melhor sintetizar os dados atuais e suas projeções; e delinear algumas ações que possam ser tomadas. A COP da informação, e de ações específicas.

 

Ricardo Guedes é formado em Física pela UFRJ e Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago. É Membro do Conselho Consultivo do Projeto Imagine Brasil da Fundação Dom Cabral.

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