A tentativa de um acordão morreu (por Leonardo Barreto)
A briga (física) entre membros da CPI do INSS, a quebra do sigilo de Lulinha pelo STF
atualizado
Compartilhar notícia

A semana passada serviu para enterrar a ideia de que haveria um acordão para abafar as múltiplas denúncias que afetam autoridades importantes em Brasília.
A briga (física) entre membros da CPI do INSS, a quebra do sigilo de Lulinha pelo STF, a convocação de pessoas ligadas aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além dos dois ministros, para comparecerem à CPI do Crime Organizado, e a debandada de parlamentares importantes do União Brasil em reação aos movimentos de autoproteção do seu presidente, Antônio Rueda, racha que também aconteceu no PP na semana passada, são sinais de que um processo de depuração vai ocorrer em clima de disputa política.
Soma-se a esses eventos a carta da OAB enviada ao STF pedindo o fim do inquérito das Fake News – principal instrumento utilizado pela Casa para se proteger – e sinalizando um reconhecimento por parte da sociedade civil que de que o país opera sob algum nível de disfuncionalidade institucional.
A resistência aos processos de investigação não pode ser subestimada. Os presidentes do Legislativo ainda buscam exercer algum controle sobre as CPIs – não autorizando novas frentes e tendendo a não prorrogar comissões em andamento. Ao anular decisões das CPIs, Gilmar Mendes afirma que tem a palavra final e não tem medo de proferi-la.
No entanto, como o senador Fabio Contarato (PT/ES) disse à ministra Gleisi Hoffmann em reação a um pedido para frear a aprovação de convocações para a CPI do Crime Organizado, “está difícil resistir à pressão”.
Assim, caminha-se para um cenário no qual alguns atores já vêm nessas brechas a oportunidade de derrotar adversários, comprometendo tentativas de controlar o fluxo dos acontecimentos, em situação semelhante à que ocorreu pelo breve e mais agudo momento da operação Lava-Jato.
Pode-se muito bem dizer que a quebra do sigilo de Lulinha é um marco simbólico de não retorno porque, se o filho do presidente foi incluído de forma quase que ordinária na condição de investigado, é sinal de que o furacão das denúncias ganhou força para tragar qualquer um.
Leonardo Barreto, doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília.


