A rebelião dos Ipês! (por Tânia Fusco)
O ar anda tão pesado em Brasília que até os Ipês estão florindo devagar
atualizado
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O ar anda tão pesado em Brasília que até os Ipês estão florindo devagar, um a um, sem a exuberância de bosques inteiros. Primeiro os das flores rosa, depois os amarelos, por último, os brancos, sempre mais econômicos. Exibem-se um ou dois dias.
Neste ano, os Ipês vieram assim meio que desencontrados, um aqui, outro ali. Estão zangados. Desanimados. Menos com a seca repetida de cada ano e mais com os desacertos dos que, pelo voto, vêm aqui exercer seus desmandos em favor só de si mesmo.
Os Ipês enfezaram (nos dois sentidos da palavra). Não deram conta. Quando nós e as árvores vivíamos a alegria de ver punida uma trupe golpista, veio a rebordosa.
Negaceando flores, os Ipês exibiram sua rebelião pelo andar da carruagem dos que usam a Câmara Federal como alcova de desejos suspeitíssimos. Impublicáveis? Nani, nani. Despudoradamente, votaram para que só eles possam decidir por qualquer investigação ou punição aos camaradas deputados e aos presidentes de partidos.
Que show da Xuxa é esse?
Que oposição é essa? A que exibe certeza tamanha de seus passivos nada republicanos que produz espécie de habeas corpus preventivo, blindagem contra sua admitida bandidagem?
A mesma que ainda corre atrás de aprovar anistia para sentenciados pelos crimes de tentativa de Golpe de Estado e assemelhados.
A mesma que, despudoramente, estende bandeira americana na celebração da Independência do Brasil.
A mesma que celebra punições ao Brasil por não se ajoelhar diante de exigências bizarras do Governo Trump.
A mesma que, ontem, tomou uma invertida do mesmo Trump. Não é que o Laranjão negacionista, depois de mentir muito, ao vivo e para o mundo, em discurso na ONU, também declarou namoro-quase-noivado com o presidente Lula. Relatou abraço, garantiu “química excelente” no fortuito encontro de “20 segundos” que teve com Lula. Também anunciou aos quatro ventos que, na próxima semana, ele e Lula terão conversa. DR anunciada. Mas pode dar bom.
“Ele gostou de mim e eu gostei dele. E só faço negócios com pessoas de quem gosto”, disse Trump. Surpreso, Lula deve ter pensado: Fale por você…
Verdade que o que Trump diz hoje não se escreve amanhã. Mas, ontem, causou dores à bandidagem oposicionista, aos minions e seus ventríloquos. Bananinha fujão à frente.
Setembro pega o caminho do fim. A primavera chegou. Os Ipês ainda podem florir mais e em grupo. Começa haver bons motivos.
Quem sabe apareçam exuberantes como um grande buquê de carinho à Paula Lavigne – produtora e ativista que, em quatro dias, da sala de sua casa e com um micro exército de voluntários, conseguiu reunir nossos grandes e amados artistas para, no domingo, 21, levar às ruas, Brasil afora, mais de 150 mil pessoas.
Foi o NÃO apartidário dos brasileiros à desfaçatez da PEC da Bandidagem e ao cinismo da lei para anistiar condenados da tentativa de golpe – punição que chega com 525 anos de atraso. Monstrengo que novos Três Patetas – os deputados Aécio Neves, Paulinho da Força, mais o ex-presidente Michel Temer, todos golpistas raiz – tentam amaciar, batizando como Lei da Dosimetria. Cocô rebatizado muda de cheiro?
Sem anistia!
Sem esquecer a barbárie em Gaza!
Tânia Fusco é jornalista


