A possibilidade de uma 3ª via nas eleições (por Ricardo Guedes)
A polarização, apresentada nas pesquisas, está em dissonância com o que se conversa nas ruas, e, tecnicamente, em grupos de discussão
atualizado
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As pesquisas de opinião apontam a prevalência de Lula e de Flávio Bolsonaro sobre os outros candidatos, na ausência de alguém que seja conhecido e considerado como viável, nos questionários apresentados, com o voto indo para Lula ou para Flávio Bolsonaro na intenção de se evitar o outro, salvaguardando a polarização. Nas ruas, entretanto, e em todos os ciclos sociais por onde se navega, é persistente a forte indignação com os dois lados; de Bolsonaro, ou “Bolsonaros”, que receberam o voto de crédito da população em 2018 para a mudança do país e o jogaram no caos político em 2022 na tentativa da quebra da ordem institucional, sem nenhum crescimento econômico do país durante este período; e de Lula, de 2022 a 2026, pelo mal Governo que tem apresentado, sem nenhum crescimento econômico e com a inflação de bens básicos acima da reposição salarial.
Desde 2010 o Brasil patina com o PIB estancado em US$ 2,2 trilhões de dólares correntes, enquanto, no mesmo período, o mundo cresceu de US$ 69 trilhões para US$ 111 trilhões, os Estados Unidos de US$ 15 trilhões para US$ 29 trilhões, a Europa de US$ 15 trilhões para US$ 20 trilhões, a China de US$ 7 trilhões para US$ 19 trilhões, e outros tantos países que cresceram significativamente. Ninguém guenta!
Lula e Flávio Bolsonaro apresentam números pífios nas pesquisas eleitorais atuais. Ambos têm, hoje, rejeições que beiram os 60%, sendo 40% o limite máximo para se concorrer e ser eleito em 2º turno. O Governo Lula, hoje, apresenta desaprovação líquida por parte do eleitorado: cerca de 30% de aprovação e cerca de 50% de desaprovação, nos indicadores “ótimo + bom” x “ruim + péssimo”, sendo que a aprovação do “ótimo + bom” é o indicador principal das intenções de voto nas eleições, uma vez que expressa a percepção da qualidade de vida por parte da população. E Flávio Bolsonaro não tem a representatividade nem a força política de Jair Bolsonaro. A direita está significativamente rachada, até mesmo dentro do ambiente familiar, de Michelle e dos “Bolsonaros”, e Jair Bolsonaro está fora das eleições. Flávio Bolsonaro herda, mas não congrega, nem lidera, o voto “Bolsonarista”. Nas pesquisas, por falta de maior conhecimento de outros possíveis candidatos por parte dos respondentes, a polarização é então mantida, pela exclusão do outro, nada mais.
O fenômeno da 3ª via poderá surgir durante o período eleitoral, com os programas na TV, rádios e debates, quando as possíveis alternativas serão conhecidas, em havendo empatia do candidato e receptividade de suas propostas por parte do eleitor. O candidato deverá apresentar propostas viáveis para uma alternativa de maior consenso para o país, cansado que está o eleitor da polarização vazia, que não desenvolve o país e não põe comida na mesa.
Pode ser que Caiado, dependendo de sua postura, se firmemente critico aos dois lados, convincente, e com propostas viáveis, represente a 3ª via. Ou outro candidato, que no momento não podemos imaginar quem possa vir a ser. As dificuldades de novos valores emergirem dentro das estruturas partidárias, entretanto, pode ser significativa tal o grau de oligopolização hoje atingido pelos Partidos Políticos devido à gestão das emendas parlamentares e do fundo partidário. Se não, permanece a polarização.
O eleitor fará o cálculo do almejado, se percebido como viável, vis-à-vis o risco dos extremos de se reelegerem, sem soluções para o país. Será um cálculo de custo-benefício da oportunidade do voto.
Que joguem as suas “cartas”.
Minas, como o “swing State” do Brasil, por excelência, será o indicador das tendências.
Como dizia Hélio Garcia, então Governador de Minas Gerais, que muito bem se aplica ao caso atual, “Eleição, somente depois do 7 de setembro”.
A ver.
Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus


