A necessidade do Estado Palestino (por Ricardo Guedes)

A pacificação tem o seu preço

atualizado

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Arte/Metrópoles
Palestina x Israel
1 de 1 Palestina x Israel - Foto: Arte/Metrópoles

A  criação do Estado Palestino, juntamente com a segurança de Israel, são fundamentais para a pacificação e estabilização do Oriente Médio, e da política mundial. A maioria de nossos problemas atuais decorrem do Oriente Médio, berço de nossa civilização, com as suas divisões e anteposições, que até hoje perduram. O Acordo de Cessar Fogo obtido pelos Estados Unidos, nos moldes atuais, é instável e não soluciona o problema, onde a guerra irá voltar, brevemente ou a médio e longo prazo.

A criação de Israel remonta ao fim da Primeira Guerra Mundial. Em 1916, a Inglaterra, a França e a Rússia assinaram o Acordo Sykes-Picot, no qual, devido ao desmantelamento do Império Otomano  a Palestina e a Jordânia ficariam sob o Mandato Britânico, e o Líbano e a Síria sob o Mandato Francês, até 1943.

Após a Segunda Guerra Mundial, diante do holocausto e na inexistência de Estado juridicamente constituído na Palestina, a Assembleia da ONU aprovou, em 3 de setembro de 1947, a formação dos Estados Judeu e Palestino por 33 votos, representando 72% dos países, contra 13 votos no total. Votaram a favor os Estados Unidos, União Soviética, França, Brasil, dentre outros; votaram contra a Síria, Líbano, Arábia Saudita, Egito, Iraque, Irã, dentre outros; a Inglaterra, a China, e outros oito países se abstiveram.

A fundação de Israel data de 14 de maio de 1948, com a sequência da Guerra da Independência. Seguiram-se, até hoje, o total de 11 guerras entre Israel e os países da região, com a estimativa de cerca de 170.000 mortos no total, sendo 70.000 em Gaza nestes últimos 2 anos.

Hoje, 157 dos 193 Estados membros da ONU, ou seja, 80% dos países, reconhecem o direito da constituição do Estado Palestino, incluindo a Inglaterra, França, Canada, Australia, México, Brasil, o Vaticano, Turquia, Rússia, China, Índia, Japão, dentre outros, com o veto dos Estados Unidos.

São dois os principais problemas entre Israel e os países Árabes da Região.

Do ponto de vista político, toda vez que três países, com culturas e interesses antagônicos, compartilham suas fronteiras, o modelo tende ao desequilíbrio. Ali, se confrontam hoje Cristãos, Mulçumanos e Judeus, em suas diferentes percepções. Segundo a Teoria dos Jogos, todo sistema tripartite conflitivo tende ao desequilíbrio, uma vez que quando duas partes se acertam a terceira não necessariamente concorda, gerando na instabilidade contínua.

Do ponto de vista econômico, o petróleo é a grande riqueza e problema da região. 51% das reservas mundiais de petróleo estão no Oriente Médio, Arábia Saudita 16%, Iran 9,5%, Iraque 9%, Kuwait 6%, Emirados Árabes 6%. Os Estados detêm 2% das reservas mundiais, com 19% do consumo, Israel sem reservas. Como disse Robert Kennedy Jr., atual Secretário da Saúde e de Serviços Humanos de Trump, em sua então pré-candidatura à Presidência dos Estados Unidos em 2024, “Israel é a nossa fortaleza. É quase como ter um porta-aviões no Oriente Médio. Se Israel desaparecer, os BRICS vão controlar 90% do petróleo do mundo e isso seria uma catástrofe para nossos interesses”.

Segundo as teorias sobre o terrorismo, como em Martha Crenshaw, David Rapoport, Robert Gurr, dentre outros, pode-se e se deve combater, mas é muito difícil derrotar o terrorismo pelas armas, uma vez que o terrorismo sempre se renova, em seus líderes, segundo os motivos que lhe geram. A melhor solução, além do combate, é a composição, mesmo que relativa, como ocorreu na Irlanda do Norte. Para o bem da pacificação, dos povos, e dos países.

O Acordo de Cessar Fogo é mais uma Proposta de Rendição do que um Acordo de Paz, momentaneamente oportuno para todas as partes.

A pacificação tem o seu preço.

Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciência Políticas pela Universidade de Chicago. Autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a Era da Desesperança”

 

 

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