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Blog do Noblat - 22 anos

A luz e as sombras. A escolha (por Pedro Costa)

Lula representa a luz. Os Bolsonaro representam as sombras.  A escolha deveria ser fácil, é fácil

24/10/2026 10:00
Artes/Metrópoles
Flávio Bolsonaro e Lula

No domingo escolheremos, pelo voto, um candidato à Presidência da República. Como numa redação da infância, esta frase tem um erro grave: na realidade o voto dirá se queremos eleger o candidato à Presidência da República ou uma ditadura.

Achou dramático? É trágico.

A escolha é entre Lula, com suas qualidades e seus defeitos — uns acharão maiores aquelas, outros maiores esses — e um projeto de poder familiar que expressa os mais sinistros desígnios da tirania. Mais que um projeto de extrema-direita, que poderia e deveria nos aterrorizar, o projeto de Bolsonaro (deixemos o prenome se definir, se esta maldição acontecer, nas brigas intestinas) é o de uma família com o desejo expresso de fazer um governo autocrata que governará com o crime organizado, com a absoluta falta de empatia pelos diferentes — pretos, pobres, mulheres, LGBT+, nordestinos, indígenas etc. —, com o ódio espumando nas bocas.

O que diferencia Flávio Bolsonaro de Jair Bolsonaro? Ambos são homens de parcas ideias. Profundamente mentirosos, inteiramente sem ética, não é pelo que dizem hoje que pode se saber o que pensam, mas pelo que disseram ou fizeram no passado. Ambos têm o culto da violência. Ambos têm profundo desprezo pela humanidade. Ambos são de uma misoginia irreprimível. Ambos são viciados no abuso, no estupro, na degradação das mulheres. Ambos vêm da cumplicidade com as milicias cariocas, origem da ocupação territorial de muitos bairros do Rio. Ambos praticaram a defesa dos piores bandidos do Brasil, de assassinos e achacadores aos donos do jogo do bicho. Ambos praticaram e aprimoraram as rachadinhas, forma degradante de explorar os aliados. Ambos são responsáveis pelo controle político do Estado do Rio de Janeiro por criminosos profissionais, representantes de uma outra organização ou de várias delas simultaneamente.

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A passagem de ambos os Bolsonaro pelas casas legislativas é absolutamente vazia de qualquer proposta a favor da sociedade. Sempre usaram seus cargos para se locupletar e para exprimir seus baixos instintos. O comportamento do bolsonarismo na campanha — incluindo seus dois representantes na cúpula do TSE — é notável pela desfaçatez com que mentem, torcem as leis, expõem a corrupção e a degradação ética, defendem a violência.

Seu ídolo Donald Trump está hoje num segundo governo, que assumiu com a obsessão de não deixar que os freios e contrapesos que tinham impedido que o governo Trump I fosse mais calamitoso do que foi, com uma taxa de mortandade pela Covid que só se compara à do governo Bolsonaro I, e que se expressa pelo absoluto desprezo à Constituição, à Lei, à Justiça, aos Estados, à decência, pela destruição dos instrumentos do Estado — serviço público, orçamento, instituições, pelo lançamento nas ruas de uma “polícia” mascarada e inidentificável, sedenta de sangue humano, pela imposição de duas guerras genocidas e pelo ataque sistemático à ordem mundial. Se vivemos os anos tenebrosos do Bolsonaro I, teríamos, num governo Bolsonaro II, esta mesma elevação à potência das calamidades públicas.

Que não se pense que a democracia brasileira é forte e sobreviverá a isso. Já tinha idade para compreender o que acontecia quando iniciamos os anos da última ditadura militar. Não foi fácil sair dela, instituir a democracia. Conheço bem a história dos golpes de Estado no Brasil e no mundo, sei como trazem, sempre, traumas profundos, destruição, muitas vezes, como o de 1964, morte e mais morte. Se vierem anos de um Estado clepto-caquistocrata (regime dos ladrões e dos piores), levaremos décadas para derrubá-lo.

Diz a falsa sabedoria das pesquisas de opinião que metade da população teme a reeleição de Lula. Se posso compreender que os farialimers, acumpliciados com as mídias corporativas, com o clero clientelista e com a ajuda das empresas que controlam as redes sociais possam ter uma influência na opinião de grande parte da população, não vejo como explicar esses “números” a não ser pelo uso, abuso, de dinheiro passado pelo Estado aos controladores locais da opinião, prefeitos e vereadores, usando as “emendas” a orçamento e os fundos partidários. Estamos, assim, colocando em risco a democracia pela corrosão do seu centro, que devia ser o Poder Legislativo.

Como negar os extraordinários números — estes sim, verdadeiros — do governo Lula? O mais baixo desemprego. Os maiores auxílios sociais. O crescimento do acesso à educação e à saúde. A saída da fome. O direito à casa própria. A proteção do meio ambiente. A proteção das minorias. Tanta coisa!

Mas Lula representa neste momento mais que um governo exitoso. Lula representa hoje a continuação da democracia. Representa a continuidade de processo que começou em 1985, de liberdade de opinião, liberdade de imprensa, liberdade sindical, liberdade de escolher por eleições periódicas. A sobrevivência da Constituição, com suas inúmeras linhas. A sobrevivência do Estado de Direito.

Lula representa a luz. Os Bolsonaro representam as sombras.

A escolha deveria ser fácil, é fácil: a escolha da luz, a rejeição das sombras.

Escolher Lula, rejeitar os Bolsonaros.

Pedro Costa, brasileiro.