A loja é de tecnologia. Mas nem o Wi-Fi funciona (por Tânia Fusco)

Mais barato pagar indenizações do que investir em atendimento e serviços de melhor qualidade. 

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Conjunto de antenas de telefonia celular. Torre de comunicações 5G com homem usando telefone celular
1 de 1 Conjunto de antenas de telefonia celular. Torre de comunicações 5G com homem usando telefone celular - Foto: Getty Images

É sábado. A moça, feliz da vida, entra na loja de telefonia para trocar o seu iPhone por um melhor. O seu nem está velho, mas é fraquinho. Falta-lhe gigabytes. Modelo escolhido, bora pra transferência do aparelho fraquinho para o poderoso. Passa do meio dia e a moça tem compromisso de almoço para às 14h30. Suave.

Está no lugar certo. Com o aparelho desejado. Profissionais do ramo. Bem treinados. Confia. A loja não é de beira de estrada. Mas dentro de um shopping de bom sobrenome.

Tudo para dar certo e a moça chegar a tempo ao compromisso marcado. Não deu. Na loja da empresa de telefonia, o Wi-Fi não funciona e o “sistema” caiu. Está assim há dias… Informa a atendente com certo constrangimento.

Na loja de tecnologia, a tecnologia anda out. O nome é Vivo, mas está mais pra morta.

Cheia de boa vontade, a moça compradora, cliente de anos dos serviços da empresa, imagina que tudo vai se resolver em minutos. E o tempo passa, passa, passa…

Não há sinal de Wi-Fi nem mesmo para agilizar a compra, passar o cartão de credito.

Na loja, onde a “gerente” era invisível, nem água é oferecida aos clientes. Melhor sair pra comprar.

Pode voltar em 20 minutos, garante a atendente que tem nas mãos os telefones velho e novíssimo, sem conseguir viabilizar a migração de um pro outro.

Sede resolvida, uma mirada nas lojas, e a compradora, reduzida à sujeita consumidora, volta para loja, imaginando que chegará atrasada, mas não perderá o almoço… Entrou na loja perto do meio dia, já são quase 15h. Tudo igual. Não há Wi-Fi, o “sistema” segue fora do ar. Caiu de novo, entende?

Se a loja não oferece água, imagina um cafezinho? O consumidor que vá comprar shopping afora. São muitos os bons cafés no refinado centro de compras…

Solícita, mas perdida, a jovem vendedora mantém sobre a mesa os Iphones velho e novo, que teimam em não se comunicar. Culpa o WhatsApp pela desdita.

O WhatsApp?  Justo ele, que funciona até no Polo Norte, em dia de nevasca?

Pois é. Segundo a atendente, naquele dia, por conta própria, o abusado decidiu não abrir as mensagens recebidas.

Juntas, vendedora e compradora, vão à loja da Apple, logo em frente, para ver se algum vendedor mais sábio resolve a questão da transferência de dados…

Vendedores da loja 1 e da 2 trocam figurinhas e voltam com uma sugestão: Como a sujeita consumidora diz que vai à São Paulo, pode por lá procurar lojas da Apple e da Vivo e buscar solução para a birra do WhatsApp e de outros aplicativos. (Acontece, né? Aplicativos também são sujeitos a mau humor).

Rindo, a sujeita compradora indaga: Vocês estão sugerindo que eu saia da loja e viaje sem que funcione corretamente um aparelho que custou alguns salários mínimos?

Os dois jovens confirmam. Sim. É esta a proposta. Simples. São Paulo resolve tudo…

O relógio chega às 17h. Exausta e faminta, a consumidora, agora no papel de cansada idiota, aceita a proposta. Vai pra casa com os dois aparelhos. Deve voltar no dia seguinte, domingo. Leva a mercadoria na confiança. Mesmo que quisesse pagar a conta, não poderia. Na loja de tecnologia, a tecnologia deu pau.

A moça, sujeita-consumidora-idiota não deu conta de voltar à loja no domingo. Optou por dar um tempo aos aplicativos. Vai que estavam cansados naquele find? Muita gente usando…

Volta na segunda. Outras 3 horas de desacertos. Algum avanço. Agora, “só” o WhatsApp segue out. Cansada, aceita que dói menos. Paga. E vai-se.

Como é quase analógica, confia: algum amigo, mais up-to-date com o digital, resolverá o que a loja de tecnologia foi incapaz de fazer. Em casa, havaianas nos pés, vem a ideia. Há um truque que costuma salvar os analógicos. Desliga e liga o aparelho. Faz-se o milagre. O WhatsApp desenfeza. Volta a funcionar, cumprindo funções para as quais foi criado.

A história é longa como não muito diferente de outros “causos” de milhares de consumidores dos serviços de telefonia no Brasil – recordistas em queixas de consumidores. Lojas de atendimento presencial têm péssimos serviços.

Os aplicativos, criados para agilizar comunicação entres os humanos, tem lá seus dias ruins, né não?  O danado é que isso é corriqueiro. E só acontece contra o consumidor. Se o que motiva o contato é suspender ou encerrar os serviços da operadora, invariavelmente, o sistema cai no meio do processo. E isso vai acontecendo, até que o otário-consumidor-pagador desista, deixe para outro dia, esbraveje, chore, xingue a mãe do atendente ou da máquina, tire a cueca pela cabeça…

Nas quase 8 horas vividas dentro da loja Vivo, a queixa se repetia. Vim aqui porque já tentei mudar de plano pelo aplicativo e por telefone…

Como autômatos, atendentes insistem: Mas, esses serviços, é só no aplicativo mesmo!

O consumidor rebate: Mas já tentei, em dias e horas diferentes, e não consigo…

Então, tente usar o aplicativo daqui, concede a atendente. (Lembrando que “daqui” era da loja sem Wi-Fi e com o “sistema” caído). O consumidor aceita a sugestão. Liga e começa a repetitiva via sacra. A conversa trava, a ligação cai…

A atendente observa e ensina: Anote todos os protocolos do atendimento!

Com eles, por suposto, podemos reclamar… à Anatel ou ao bispo. Tendo tempo e paciência, vamos à Justiça, onde, quase sempre, a empresa perde a causa.

Tá nas contas. Mais barato pagar indenizações do que investir em atendimento e serviços de melhor qualidade.

O consumidor que se exploda!

 

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