A ganância que acaba com o mundo (por Ricardo Guedes)

A ganância do homem é desmedida e está acabando com o mundo

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EUA Lei Donald Trump e Elon Musk -- Metrópoles
1 de 1 EUA Lei Donald Trump e Elon Musk -- Metrópoles - Foto: Reprodução

Os “7 Pecados Capitais”, elaborados por São Tomás de Aquino no século XIII, são a soberba, a avareza, a luxúria, a ira, a gula, a inveja e a preguiça. A ganância é uma mistura disto tudo.

Somos a espécie Homo Sapiens, surgida na Terra a cerca de 300 mil anos atrás. A cerca de 50 mil anos, miscigenamos com os Neandertais, e os eliminamos a cerca de 48 mil anos. Éramos mais inteligentes e mais ágeis, nossas lanças mais leves e perfurantes. Tomamos todo o planeta para nós.

Segundo Noah Harari, em seu livro “Sapiens: a Brief History of Humankind”, o homem é um “acidente biológico”, que deve desaparecer possivelmente em “um século ou mais”. Um acaso da evolução e de irracionalidade extrema. De acordo com Chris Hedges, em seu livro “What every person should know about war”, nos últimos 3.400 anos da história tivemos somente 268 anos de paz, 8% do tempo total dos tempos da guerra infinda.

O homem prefere, disparadamente, viver bem e cada vez com mais luxo, estragando o que for, do que deixar um legado ecologicamente seguro para seus filhos e descendentes, sempre achando que o amanhã ainda não está por vir. Como dizia Maquiavel, “o homem chora mais a perda de seu patrimônio do que a morte de seu pai”.

O PIB do mundo, em US$ 1,37 trilhão em 1960, está hoje em US$ 111,33 trilhões, cada vez mais concentrado e mal distribuído. De acordo com o “Billionaire Ambitions Report” do Banco UBS, em 2023 pouco mais de 2.500 pessoas detinham o patrimônio de aproximadamente 12% do PIB mundial, na espiral do poder e da insanidade nas decisões.

A compressão da classe média, indicada pelo “World Inequality Report”, desesperada que está na busca da estabilidade, dá a base política para a fascismo, por líderes oportunistas que regem as sociedades acima daquilo que, até hoje, ou outrora, era chamada de “Lei”, nos idos ditos de Montesquieu e Rousseau. Bolsonaro, com o lema “Deus acima de tudo, Brasil acima de todos”, coloca toda a nação em risco econômico para atender a seus interesses únicos. Trump, com o “Make America Great Again”, impõe sanções a países como a África do Sul e o Brasil, acompanhadas de expressivos lucros nas bolsas através de hipotéticas informações privilegiadas, em averiguação (precária) nos países.

Somos um belo planeta, com terra, água e ar, estes dois últimos cada vez mais rarefeitos. A ecologia não é uma preocupação para o homem, posto que o lucro imediato supera a expectativa do encurtamento futuro da sobrevivência dos nossos descendentes, ou decadentes. E o homem, tido como “Sapiens”, segue a sua sina para um futuro tenebroso.

E “Assim caminha a humanidade”, como no filme de George Stevens, com  Elizabeth Taylor, Rock Hudson e James Dean, na briga pelo petróleo. Que pena que o petróleo acaba.

Somente à beira do precipício o homem tomará suas decisões.

 

Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e Autor

 

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