A exceção e a regra: o lixo no DF (por Eduardo Fernandez Silva)

O que, de fato, torna a cidade mais limpa não é a quantidade de lixeiras, mas principalmente a educação comunitária da população

atualizado

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MIRELLE PINHEIRO/METRÓPOLES
07.10.2018 lixo escola classe 512 samambaia 22
1 de 1 07.10.2018 lixo escola classe 512 samambaia 22 - Foto: MIRELLE PINHEIRO/METRÓPOLES

Nesse imenso Brasil há de tudo. Apesar da pobreza generalizada, o bairro Lago Norte, no DF, é uma exceção: seu IDH é tão alto quanto pode ser! Embora bem menores do que no restante do DF ou Brasil, o Lago Norte tem lá suas carências. Entre estas, não consta a falta de latas de lixo nas ruas.

Pois não é que o governador resolveu encher o bairro de novas lixeiras? Hoje, parece haver uma a cada dois ou três postes de energia! Para quê? O Lago ficará mais limpo? Quanto custou essa ação do governo?

Não é exceção, é regra que governos, com propósitos nada claros, tomem decisões sem consultar a população, sem avaliar outro uso dos recursos dos contribuintes. Essa é uma das razões por que, no Brasil, IDH alto seja a exceção e não a regra.

No caso, as perguntas centrais são: o Lago ficará mais limpo? A população será beneficiada? As respostas são “NÃO” e, portanto, “NÃO”! Assim, espalhar lixeiras para quê? Alguém terá lucrado com isso?

A Agência Brasília, página do Governo do Distrito Federal (GDF), informa que mais de 11,5 mil lixeiras seriam instaladas, ao custo de R$ 2,5 milhões! Na mesma página, um diretor do SLU afirma que as lixeiras “são um equipamento público fundamental para ajudar na limpeza da cidade”. Em seguida, o representante da entidade adverte para que pessoas cuidem e não quebrem esses equipamentos.

A SLU se gaba, na mesma página, de ter contado com a participação democrática da população: durante curto período, internautas puderam propor locais onde as lixeiras deveriam ser instaladas; posteriormente, alerta, as sugestões passariam por “análise técnica”.  Ah, sim, a população sugere, mas depois vem uma “análise técnica”. É como se, após a eleição, se fizesse uma “análise técnica” para verificar a “correção” das escolhas dos eleitores…

Se lixeiras são equipamento fundamental para a limpeza da cidade, como explicar que, nas cidades mais limpas do mundo, elas quase não existem? Nem em Tóquio, nem na ilha de Formosa existem lixeiras nas ruas, e também não há lixo espalhado!!!

O que, de fato, torna a cidade mais limpa não é a quantidade de lixeiras, mas principalmente a educação comunitária da população, e o GDF nada fez nesse sentido.

Mas podem argumentar “o Brasil não é o Japão”. Uma das diferenças entre eles e nós é que, lá, os políticos não vivem em bolhas à parte dos eleitores. A população é ouvida regularmente e a questão do lixo é tratada educando a população, e não facilitando a disposição dos resíduos, o que tende a gerar maior quantidade deles! E, claro, encarece sobremaneira a coleta: recolher resíduos em 11,5 mil pontos é muito mais caro que fazê-lo em apenas 100, ou 200!

Se essa operação foi motivada por razões não republicanas, e se com ela alguém lucrou indevidamente, é pergunta para uma investigação independente. Evidente está, porém, que o governo jogou no lixo grande volume de dinheiro dos contribuintes, e jogará ainda mais, cada vez que pagar para os resíduos sejam recolhidos em tantos pontos!

 

Eduardo Fernandez Silva. Ex-diretor da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados

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