A eleição da energia vem aí! (por Roberto Caminha Filho)
“A Eleição do Fio Desencapado: o Brasil acende a luz e toma choque”
atualizado
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Se o Brasil fosse a minha casa, a energia seria aquele fio desencapado no canto da sala: todo mundo passa fingindo que não viu, mas uma hora leva um choque que faz até esquecer o CPF e o nome da namorada. E em 2026, esse choque vai vir em forma de voto — especialmente para o Senado, onde, de repente, todo mundo descobriu que entende de “transição energética”. Em 2026, sentiremos como será “A Eleição do Fio Desencapado: o Brasil acende a luz e toma choque”.
O país adora repetir que tem uma “matriz limpa”. Limpa? Só se for porque a água evaporou. As hidrelétricas estão secando mais rápido que paciência em fila de banco. E, quando não chove, o governo corre para acender as termelétricas — nossas velhas geladeiras barulhentas que queimam tudo: diesel, gás e o bom senso. A única coisa que não queimam é o preço da conta, porque esse sobe igual balão de festa junina. São Paulo é um show em matéria de vazantes e reservatórios zerados. Até o Aquifero Guarani, que tanto estudávamos no Grupo Escolar, tomou Doril. Aquele Rio Tietê nos recebendo, ou se despedindo, eu não sei nem qualificar. Se eu fosse paulista, exigiria que ele fosse entregue para o Leonardo Di Caprio e para a Greta TINTIN Thunberg, que saberiam transformá-lo em um Rio Sena.
E adivinha onde esse caos pesa mais? No Norte, claro. O Amazonas vive a sina do aluno aplicado, fazendo trabalho de grupo com colegas preguiçosos: produz água, maior espelho d’água para placas, tem hidrelétricas com lagos e reservatórios permanentes, floresta, matéria-prima, mas na hora de receber energia estável e barata, todos os irmãos somem. Inclusive aquele que recebe o gás de Urucú-Coari-Amazonas. É o clássico “contribui muito, recebe pouco”, versão elétrica.
Agora, por que isso vai mexer com as eleições de 2026? Porque, de repente, virou moda ser “Senador da Energia”. Tem político que nunca estudou eletricidade e nem trocou uma lâmpada na vida, mas na campanha, vai aparecer explicando hidrogênio verde com a confiança de quem explica impedimento no futebol para uma criança de três anos. Vai ter candidato prometendo painel solar em cada esquina, turbina eólica no quintal da dona Maria e até “energia quântica ancestral sustentável”, porque brasileiro inteligente adora invenção com nome bonito.
Só que o eleitor-cidadão, aquele que influencia o voto dentro de casa, não está interessado em aula de física: esse eleitor quer duas coisas simples e fáceis de se entender — energia que funcione e não queime seus eletrodomésticos e conta que não desgrace o seu orçamento. É isso. Quem não entender isso, Senhores, vai virar meme antes do segundo turno.
Os Mestres já alertavam: quando o governo tenta controlar preço na marra, quem paga é o cidadão. E completavam: quando o Estado cresce demais, o país encolhe — exatamente o que vemos no setor energético, que virou aquele quarto entulhado que ninguém quer arrumar. Os 94 milhões de “empregados” nas bolsas podem ser chamados de funcionários públicos? Podemos contabilizá-los no tamanho do Estado? Que beleza de Folha de Pagamentos!
Energia cara espanta indústria, encarece alimento, mata emprego e derrete a competitividade. Nós pagamos a energia barata do Paraguai e estamos fugindo para lá, com medo de nós mesmos. A Zona Franca de Manaus sofre com isso como ninguém. Pode botar incentivo, pode botar isenção, pode botar decreto com laço vermelho — se a energia continuar com preço de importado taxado, não tem milagre que segure o Polo Industrial.
E o impacto é imediato na vida real: para o jovem de 16, videogame mais caro; para o veterano de 75, remédio mais salgado; para a dona de casa, gás mais pesado; para o empresário, custo Brasil bombado.
A verdade é simples: o Brasil tem sol de sobra, água de sobra, vento de sobra… e planejamento de menos. É o país onde tudo existe — exceto gestão. A COP nos ensinou do que somos capaz quando queremos errar. A gente poderia estar exportando energia limpa; preferimos exportar desculpas esfarrapadas.
Em 2026, a eleição não será da “terceira via”, nem da “renovação”, nem da “moderação”. Será a eleição do fio desencapado. Quem souber religar o país… ganhará. Quem vier com papo de “energia holística” vai tomar curto-circuito nas urnas.
Porque o brasileiro raiz, aquele que tem saudade da geral, até aguenta uma promessa furada, ele só não suporta uma noite de calor, com o ar-condicionado pendurado na parede. Ninguém aguenta blackout político.
Roberto Caminha Filho, economista, sente no bolso os seus eletrodomésticos soltando fumacinhas e as filas da justiça aumentando a cada reclamação.


