A “boa química” posta à prova (por Marcos Magalhães)

As relações bilaterais têm experimentado alguns de seus piores momentos nos últimos anos.

atualizado

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Ricardo Stuckert/PR
Trump Lula
1 de 1 Trump Lula - Foto: Ricardo Stuckert/PR

A “boa química” entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, será colocada à prova nesta semana. O desafio que os dois têm pela frente é grande: a construção de uma agenda positiva.

Foi Trump que cunhou a expressão após rápido encontro dos dois presidentes na Assembleia Geral das Nações Unidas. Um gesto – provavelmente calculado – de cortesia com Lula. Era como se procurasse reduzir a tensão na relação bilateral.

O estresse entre os dois países, é bom lembrar, teve início quando Trump resolveu impor altas tarifas a produtos brasileiros em represália ao processo movido contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, fã de primeira hora do presidente americano.

As tarifas foram posteriormente reduzidas, com exceção de alguns produtos sensíveis, mas Washington ainda mantém pedidos de informações sobre práticas econômicas brasileiras. Informações que poderão levar a novas sanções.

Se as desavenças comerciais não fossem suficientes, ainda permanece no ar a ameaça dos Estados Unidos de classificar como terroristas organizações criminosas brasileiras. O que abriria caminho, na pior das hipóteses, a incursões militares americanas em solo brasileiro.

Por fim, os dois presidentes têm visões bem diferentes sobre o atual cenário global. Lula tem condenado a guerra no Irã em suas viagens pelo mundo. Assim como tem criticado o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para julgamento em tribunais dos Estados Unidos.

Desde a posse de Trump para seu segundo mandato, portanto, as relações bilaterais têm experimentado alguns de seus piores momentos nos últimos anos.

A reunião prevista para quinta-feira, na Casa Branca, precisará de mais do que uma nova dose de “boa química”. Os dois líderes precisarão demonstrar boa vontade e flexibilidade para desenhar os contornos de uma nova agenda.

Um dos temas mais sensíveis sobre a mesa é o dos minerais críticos. Críticos porque, sem acesso a eles, a indústria de alta tecnologia dos Estados Unidos ficaria à mercê, principalmente, de minerais da China.

Trump quer acesso aos minerais do Brasil, que possui a segunda maior reserva do mundo de terras raras, por exemplo. Poderia suavizar as ameaças comerciais ao país, com esse objetivo. Tudo isso estará sobre a mesa.

O Brasil, por seu lado, quer garantir o beneficiamento de minerais críticos em solo nacional, para evitar repetir a saga de eterno fornecedor de matérias primas. Já estão em estudos estímulos tributários a quem apostar no beneficiamento.

Ou seja, o governo brasileiro pretende dispor em breve de nova legislação que estimule a indústria local. Uma legislação que, naturalmente, precisaria ser obedecida por empresas de todo o mundo.

Os Estados Unidos aceitarão essa condição ou manterão o jogo pesado das pressões econômicas?

Aos dois presidentes, o caminho do diálogo parece ser o mais sensato – embora isso não represente muita coisa diante da instabilidade e da truculência da atual administração americana.

Trump poderia, desde já, traçar o caminho de acesso a insumos fundamentais para a sua indústria – sem necessidade de recorrer à produção chinesa. E teria no Brasil um parceiro confiável.

Lula, por sua vez, pode abrir caminho a uma nova industrialização no país. Ao mesmo tempo que divulgaria a imagem de um chefe de Estado capaz de negociar de igual para igual com os líderes mais importantes do mundo.

Seu provável adversário nas eleições de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tem acusado o governo de proximidade com a China e de afastamento dos Estados Unidos. Uma vez eleito, o senador deixa claro que apostaria em um alinhamento automático com Washington.

Se Lula chegar a um acordo com Trump, o senador perderá um argumento. E o atual presidente brasileiro poderá se apresentar ao país como líder pragmático e aberto a acordos com países de todo o mundo.

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