A balcanização da economia na América Latina (por Ricardo Guedes)

Países da América Latina têm má distribuição de renda, baixo índice de reinvestimento na economia, e situação educacional da baixo nível

atualizado

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Michael Melo/Metrópoles
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1 de 1 Dinheiro, Economia, Bolsa de Valores, Real, aumento, Baixa, money, gráficos – PIB - Foto: Michael Melo/Metrópoles

A América Latina corre o risco de relativa balcanização de sua economia. O termo balcanização foi originalmente cunhado ao final da 1ª Guerra Mundial na fragmentação do Império Otomano em estados nacionais de menor extensão territorial, antagônicos e não cooperativos entre si, O termo balcanização, conforme aqui utilizado, refere-se à desintegração econômica diante da fragmentação política em setores pouco interligados, na formação de nichos associados a mercados internacionais, sem a criação de mercado interno para o equilíbrio dos países.

Em artigo recentemente publicado, Everardo Maciel, ex-secretário da Receita Federal, cita que “não acreditei quando li na imprensa, há algum tempo, que setores não apenas postulavam a redução de sua carga tributária, mas pretendiam aumentar a carga de outros. Antes, existiam movimentos, nem sempre legítimos, visando a redução de carga tributária de empresas ou setores. Agora, esses movimentos, muitas vezes, buscam aumentar a dos outros. Os projetos de reforma se transformaram em exercícios de predação, inclusive entre os entes federativos.”

Nas últimas duas décadas, o mundo experimentou notável crescimento econômico, com a então internacionalização da economia e forte desenvolvimento tecnológico. De 2000 a 2020, o PIB mundial cresceu 2,6 vezes. O PIB dos Estados Unidos de US$ 10,3 trilhões para US$ 20,8 trilhões; China de US$ 1,2 trilhões para US$ 15,2 trilhões; União Europeia de US$ 7,3 trilhões para US$ 15,6 trilhões. A América Latina aumentou de US$ 2,3 trilhões em 2000 para US$ 6,4 trilhões em 2014, caindo para US$ 4,8 trilhões em 2020. Dentre as principais economias, o Brasil variou de US$ 0,7 trilhões em 2000 para US$ 2,6 trilhões em 2011, caindo para US$ 1,4 trilhões em 2020; México de US$ 0,7 trilhões em 2000 para US$ 1,3 trilhões em 2014, caindo para US$ 1,1 trilhões em 2020; Argentina de US$ 0,3 trilhões em 2000 para US$ 0,6 trilhões em 2017, caindo para US$ 0,4 trilhões em 2020.

Os países da América Latina têm em comum a má distribuição de renda, baixo índice de reinvestimento na economia, e situação educacional da baixa qualidade. A renda per-capita anual da América Latina é de US$ 8.700,00, abaixo da média mundial de US$ 11.200,00; Brasil com US$ 8.900,00; México US$ 9.700,00; Argentina US$ 11.700,00; Estados Unidos US$ 63.000,00. No Brasil, o índice de reinvestimento na economia é de 15% do PIB, abaixo da média mundial de 24%; China com 44%. No ensino, nenhuma Universidade da América Latina faz parte do ranking das 100 primeiras no mundo; Estados Unidos com 40; China com 3. Adicione-se a fragmentação e polarização política. Sem reinvestimento na economia, sem diversificação e sem capital humano, é difícil a situação da América Latina, pouco cooperativa e com clivagens econômicas antepostas e setorizadas.

 

Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus

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