5×2 será um novo 7X1? (por Roberto Caminha Filho)
O brasileiro adora uma boa ideia… até a chegada da fatura.
atualizado
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Se tem uma coisa que o brasileiro entende bem é de placar. E quando alguém fala em “7×1”, bem pertinho de uma nova Copa do Mundo de futebol, todo mundo já sente o trauma no bolso e na alma. Agora chegou a nova discussão: trocar o sistema de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho, um de descanso) pelo 5×2 (cinco dias de trabalho, dois de descanso). Parece um golaço social de quem sabe fazer campanha política. Mas será que o placar econômico também é favorável? Ou o resultado do pleito não entregará mais uma vez, a tão sonhada picanha com chopp, mas um forte osso de canela?
O que muda na realidade do meu Brasil? No modelo 6×1, o trabalhador atua cerca de 44 horas semanais. Já no 5×2, isso tende a cair para 40 horas (ou menos, dependendo da negociação). Traduzindo: Menos horas trabalhadas, mais tempo livre, mas… custo por hora maior. E aí começa o jogo.
O BELO PLACAR DO AGONIZANTE SALÁRIO (R$ 1.700)
Vamos tentar imaginar um trabalhador recebendo R$ 1.700 por mês.
No 6×1 (44h semanais)
Custo por hora ≈ R$ 9,65
Produção maior (mais horas disponíveis)
No 5×2 (40h semanais)
Custo por hora ≈ R$ 10,62
Produção menor (menos horas)
Ou seja: o trabalhador ganha o mesmo, mas produz menos horas
Resultado: o custo por hora sobe cerca de 10%. Agora segura esse número — ele é o miocárdio desse entupido coração da discussão.
E PARA AS HERÓICAS EMPRESAS?
Aqui não tem milagre. Se o custo por hora sobe, a empresa tem três caminhos:
Contratar mais gente
✔ Bom para emprego
✖ Aumenta o custo total
Aumentar preços
✔ Mantém margem
✖ Joga inflação no colo do consumidor
Automatizar ou cortar custos
✔ Aumenta eficiência
✖ Pode reduzir vagas
Ou seja, o 5×2 pode ser:
Bom para quem trabalha
Complicado para quem emprega
Perigoso para quem compra
E PARA OS TIOS PATINHAS DO ATUAL GOVERNO? (O MAIOR EMPREGADOR)
Os governos não produzem lucros e nem sabem. Eles produzem e sabem fazer muitas despesas.
Com o 5×2: Pode e vai precisar contratar mais servidores e votos. Pagar horas extras. Reduzir atendimento (aquele jeitinho brasileiro de “fecha mais cedo e prolonga o feriado”). E quem paga isso? Você, via impostos. Como diria Roberto Campos, com aquele humor fino:
“Quando o governo cria um benefício, alguém está sendo convidado — sem saber, sabendo— para pagar a conta.”
O LADO BOM (E ELE EXISTE!)
O modelo 5×2 traz ganhos reais: Mais descanso com melhora da saúde mental. Mais tempo com a família. Aumento de produtividade em alguns setores. Menos desgaste físico. Em países desenvolvidos, isso já funciona bem. Mas tem um pequeno e invejável detalhezinho:
Lá, a produtividade por hora é muito maior. E aqui entra o ponto sensível…
O PROBLEMA BRASILEIRO
O Brasil não é o Japão, nem a Alemanha e muito menos a Coreia do Sul. A nossa produtividade ainda é muito baixa. Ou seja:
Trabalhamos em condições deprimentes, perto das condições deles, mais horas para produzir menos e quando reduzimos horas, o vexame se apresenta porque batemos recordes da nossa produção negativa.
Resultado possível: Empresas pressionadas, empregos informais crescendo, preços subindo, Bolsa Miséria crescendo e desgraçando o que já é muito ruim. O famoso “ganha de um lado, perde do outro”.
ENTÃO… 5×2 É BOM OU RUIM? Serve para alguém?
Resposta de economista (que irrita, mas é honesta). Depende! Se vier com: aumento de produtividade, tecnologia, qualificação da mão de obra. Pode ser um avanço civilizatório. Se vier sozinho, no grito: pode virar um “7×1 econômico”. O brasileiro adora uma boa ideia… até chegada da fatura.
O 5×2 é bonito no papel, elegante no discurso e justo no coração. Mas a economia não funciona com coração — só funciona com quem sabe fazer conta com as quatro operações e não é o nosso caso. É sabido que o brasileirinho, não sabe matemática, porque não sabe ler e interpretar.
Se esse robotizado brasileirinho, produzir mais em menos tempo, vitória. Se produzir menos e gastar mais, prepare o furado bolso, pois virá chumbo grosso. Na contabilidade nacional, o nosso bondoso Presidente terá que criar mais um nome para a Bolsa Miséria.
Porque, nos finalmentes, meu querido leitor, já de camisa verde-amarela, com 16 ou 70 anos, a regra continuará a mesma: A conta proposta pelos geniais governos sempre será paga. Já adivinharam quem pagará mais essa? Isso mesmo: o Brasileirinho, este ser de aço…e seus descendentes.
Roberto Caminha Filho, economista, já está pensando na nova Bolsa Miséria para os brasileirinhos.


